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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 04/11/2020 15:13

O gestor e suas limitações

Ainda encontramos empresários que têm dificuldades de não se adaptarem as suas novas funções, quando suas empresas, movidas pelo desenvolvimento, contratam pessoas para exercer cargos de gerência, ficando eles sem o contato direto com alguns funcionários que exercem a função de execução.

É devidamente justificável e necessário o fundador ao instituir sua empresa exercer as funções de planejar seus objetivos, fixar metas, organizar seus recursos disponíveis, fiscalizar e controlar as diversas atividades e quando necessário auxiliar na execução de funções operacionais.

A realização das funções administrativas no primórdio das empresas, são realizadas e apenas do conhecimento do proprietário. Porém ao dividir responsabilidades das funções de gerenciamento com subordinado, é necessário formalizar quais funções ficarão a cargo desse auxiliar para que, no futuro, ele venha a ser avaliado, orientado e possa se desenvolver profissionalmente, como também para sejam evitadas situações constrangedoras que possam afetar o relacionamento entre ambos.

É a partir desse ponto que começa a surgir o empresário que se destacará como gestor e o que estacionará na qualidade de empresário comum, que caso consiga manter em funcionamento o seu empreendimento, esse permanecerá da mesma importância desde quando foi implantado.

A necessidade de admissão do primeiro auxiliar para exercer o cargo de gerência na empresa é que orientará o caminho a ser trilhado pelo empresariado, pois no compartilhamento das funções administrativas da empresa é que os mais dedicados e competentes começarão a se destacar no segmento, entendendo, através da obtenção de novos conhecimentos e prática, que para essa divisão inexiste regra específica, apenas orientações genéricas que devem ser adaptadas a cada empresa exclusivamente.

O primeiro desafio é a seleção do primeiro auxiliar no cargo de gerência, pois é frequente que o escolhido para exercer essa função seja o funcionário que mais se destaca no exercício de função operacional, pois o proprietário, nesse processo tende a considerar apenas a sua intuição sem nenhuma preparação prévia para conduzir essa decisão e o acerto da escolha na maioria das vezes deixa a desejar, causando uma situação que para sua reversão tem duas premissas: a demissão ou o constrangimento de retorno âs funções anteriores do escolhido.

O acerto ou o desacerto dessa decisão é um marco para que o empresário entenda que todo o gestor tem suas limitações e procure minimizá-las ou julgue-se notável e acredite que sucessos no passado se repetirão no futuro.

Diversos livros que tratam de gestão afirmam que todo o erro é o aprendizado de algum procedimento que merece ser aprimorado, porém nem só da leitura e de cursos sobre qualquer assunto são os únicos caminhos para o desenvolvimento dos empresários se tornarem gestor, mas também que devem levar em alta conta o que as pessoas no seu entorno têm a ensinar, E essa via de aprendizado apresenta-se em muitas oportunidades da maneira mais inusitada possível, é só observar todos os que exercem bem quaisquer funções nas empresas, pois às vezes aprende-se certos assuntos mais com o comportamento do pessoal da limpeza do que com os dos departamentos administrativos.

Importantíssimo o gestor, desde o início de sua jornada, aceitar que toda pessoa, principalmente os colaboradores, em muitos assuntos são mais competentes do que eles e que devem excluir da sua conduta o pedantismo e ter a simplicidade de conversar com eles e solicitar sugestões para problemas que estão em dúvida qual a melhor solução.

Confiança e diálogo são ferramentas importantíssimas para o sucesso na delegação de atividades administrativas para que os subordinados responsáveis, por essas novas atribuições, se desenvolvam e tornem-se profissionais talentosos, mesmo que no futuro tenham que se desligar da empresa para procurar novos desafios e quem algum deles no futuro retorne para ser nosso substituto.

Continua sendo fundamental a regra número um dos profissionais que alcançaram sucesso nos seus segmentos quando dizem explicita ou implicitamente que para se alcançar sucesso em qualquer atividade é não se limitar às suas limitações e evitar a soberba.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 21/10/2020 09:10

A realidade da gestão de pessoas no serviço público


A discussão sobre a necessidade de como a reforma administrativa está no momento sendo tratada por diversos atores, porém como em épocas pretéritas, continua denodando um viés distorcido da realidade dos servidores públicos da maioria dos municípios brasileiros.

Quando em artigos, noticiários e outros instrumentos de divulgação é mostrada uma realidade dos valores salariais em comparação aos salários da iniciativa privada, temos a impressão de que todos os servidores federais, estaduais e municipais recebem valores muito acima do praticado pelo mercado de trabalho.

Como estão misturados o joio - o servidor público que recebe salário incompativelmente alto - com o trigo - o servidor que tem o holerite vergonhosamente baixo - devemos separá-los para evitar cometer excessos descabidos ao externar opiniões, que em muitas oportunidades são impróprias.

É difícil nas nossas redes sociais, seja presencial ou virtual, que não tenham a presença de servidor público municipal, seja ele pertencente a quadro de nível superior ou não, que de acordo com a proximidade da amizade ou parentesco nos forneça informações confiáveis como esses servidores públicos são tratados, tanto nas questões salariais quanto nos de cargos, salários e carreiras, sendo a primeira apenas a vantagem da estabilidade, após o período de estágio probatório praticado por raras administrações públicas municipais, e a segunda inexistente na maioria das administrações públicas, resumindo-se apenas ao abono quinquenal ou anual que adiciona 5% ou 1% nos salários dos servidores públicos.

Considerar os servidores públicos como atores importantes e necessários para a boa prestação dos serviços à população, geralmente não foi prioridade nos planejamentos estratégicos de gestores municipais no passado e lamentavelmente são raros esses lampejos nas plataformas de intenções de candidatos e quando mencionado é de uma forma genérica e superficial com rótulo de “os servidores públicos serão valorizados” onde se percebe que nada mudará no quartel de Abrantes.

A absurda assimetria da produtividade de serviços prestados entre as organizações privadas e as públicas, comprovada nas estatísticas já realizadas e provavelmente pelas que venham a ser realizadas, é o puro resultado de como os agentes púbicos foram e são tratados pelas administrações passadas e presentes, que continuadamente praticam os processos e o tratamento das pessoas como continuássemos presos no período da revolução industrial.

Desde a metade do século passado, a ciência que trata da administração empresarial vem desenvolvendo teorias, observações, implicações, experimentos, métodos e novas hipóteses sobre o comportamento humano nas organizações, estando esse imenso material disponível para as pessoas que pretendem realizar, no mínimo, uma gestão empresarial que apresente resultados melhores, por menor que seja, dos que lhes precederam.

As premissas de valorização do assalariado, tanto na gestão pública ou privada, são similares e baseadas no tripé: justiça, conquista e perspectiva futura. Quando se observa as empresas privadas que se destacam e se mantêm entre as melhores de seus respectivos segmentos negociais, elas não só incorporaram nas suas culturas organizacionais essas âncoras básicas, como também outros desdobramentos eficazes nas suas gestões de pessoas.

É visível que inexiste uma uniformidade, mesmo relativa, generalizadas entre as diversas carreiras dos servidores públicos nos três níveis - federal, estaduais e municipais, mas a existência de planos de cargos, carreiras e salários com seus respectivos instrumentos que lhes proporcionam solidez e credibilidade, encontram-se, na maioria dos casos, nos estados e municípios localizados em regiões economicamente mais desenvolvidas.

Quanto as demais administrações públicas, encontramos nesse ambiente de gestão de pessoas. incompreensíveis lacunas que sequer são provocadas para discussão pelos próprios servidores públicos e seus órgãos representativos em decorrência da indisposição da maioria desses gestores, ignorando que quando melhor for a gestão dos servidores públicos, melhores serão os resultados produzidos pelos serviços prestados às comunidades.

Na administração existe uma ferramenta de gestão denominada benchmark, que é analisar qual o modelo que as empresas utilizam nos segmentos que estão tendo sucesso, no caso aqui tratado na gestão de pessoas e copiá-lo com suas devidas adaptações à realidade local, para que seus colaboradores sejam de fato colaboradores. É difícil realizar esse procedimento ou a empáfia de certos gestores públicos é impeditiva? Esperemos como se comportarão os prefeitos que serão eleitos no próximo mês.
 

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  • Ires Ferreira Rodrigues O servidor público municipal a cada quatro anos espera melhoria, ou um setor de Recursos Humanos efetivo, que não somente faça folha de pagamento. Essa expectativa pra uns, serve como gatilho pra um desenvolvimento pessoal e profissional e para outros aumenta o comodismo.
Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 19/08/2020 08:55

O adiamento das reformas do governo

Divulgação
O adiamento das reformas do governo
A administrativa, que poderia diminuir bastante as despesas de pessoal do governo federal está praticamente esquecida


O resultado fiscal do governo vem desde 2014 apresentando déficit primários sucessivos, o último superávit foi de R$ 91,3 bilhões ocorrido em 2013, na realidade desde 2014 o governo vem realizando despesas acima da sua receita anual, no caso do governo tem que ser coberto com a entrada de recursos em igual valor. Para captar tais recursos o governo recorre a empréstimo junto a instituições e pessoas físicas emitindo títulos do Tesouro Nacional, com vencimentos preferencialmente de longo prazo e a juros atrativos para atrair investidores.

A dívida pública da União fechou 2019 em R$ 4,249 trilhões o que representou 75,8% do PIB nacional, com previsão de 91% para 2020. Esse aumento é em decorrência da pandemia do Covit19, que além de afetar a arrecadação prevista, impôs maiores gastos governamentais com auxílios emergenciais às pessoas que ficaram sem renda para suas subsistências e às empresas com empréstimos a juros favorecidos e vencimentos a longo prazo, providências certas e necessárias para o atual momento nacional.

A diminuição da dívida da união pode ser conseguida através de três instrumentos: 1) aumento da carga tributária; 2) crescimento da a economia e respectivo aumento da arrecadação dos impostos e 3) diminuição das despesas públicas através de uma reforma administrativa consistente.

O que estamos presenciando é que o governo que tinha a intenção de realizar três reformas estruturais para alavancar o desenvolvimento nacional, a da previdência, a tributária e a administrativa. Até o momento apenas conseguiu aprovar a da previdência graças a participação efetiva do Congresso Nacional, que reduzirá razoavelmente, no período de aproximadamente dez anos as despesas que o governo tem para arcar com as aposentadorias do setor privado e público, essa bem mais impactante que aquela.

A reforma tributária por sua vez está em ritmo lento com muita discussão e sem previsão para o governo apresentar um projeto completo. Realizando apenas mudanças pontuais que vem provocando críticas do Legislativo e de especialistas, pois o governo vem lançando balões de ensaio que pretende realizá-la em pequenas fatias.

Uma fatia é a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que de acordo com o governo apenas substituirá o Pis/Cofins, sem provocar aumento da carga tributária. Porém especialistas dizem que essa substituição impactará negativamente nas empresas prestadoras de serviços e nos profissionais autônomos, com elevação de suas cargas tributárias, como também muitas empresas que utilizam o sistema de lucro presumido, obrigando-as a migrarem para o sistema de lucro real, bem mais complexo do que aquele, pois poderão, também, ter sua carga de impostos elevada. O governo alega, como sempre, que essa permuta não vai onerar esse grupo de empresas.

O outro é o imposto digital, incidindo em 0,2% sobre as transações financeiras virtuais, seja em aplicativos ou nas contas bancárias mas, de acordo com o governo, a perspectiva de arrecadação de R$ 120bi anual será utilizada na diminuição dos encargos trabalhistas que incidem sobre as folhas de pagamento, Esse imposto já está sendo tratado como uma nova cpmf, de péssima lembrança na memória de todos os brasileiros que utilizam os serviços bancários e pela dificuldade de prever quanto arrecadará, considerando a mesma incidência sobre o mesmo fato gerador, economistas renomados acreditam que o valor arrecadado superará o que será compensado na redução dos encargos trabalhistas e assim provocar um aumento disfarçado da carga tributária, hoje em torno de 35% do PIB.

A administrativa, que poderia diminuir bastante as despesas de pessoal do governo federal está praticamente esquecida.

O que interessa, de fato, é se governo, no pós epidemia, deverá apresentar à sociedade brasileira algum mecanismo para reduzir a dívida pública através de superávits primários robustos, diminuindo assim o percentual em relação ao PIB, pois quanto mais levado for esse percentual menor é a confiança dos empresários brasileiros e internacionais em investir seus recursos no país.

Antes da crise não existia clima para aumento da carga tributária, pois a carga brasileira já ultrapassava o limite razoável que a sociedade aceita, principalmente porque o Estado entrega a essa mesma sociedade seus serviços básicos - educação, saúde e segurança – com a qualidade bem abaixo do ela paga através dos impostos incidentes sobre o consumo e a renda.

Infelizmente crises não se resolvem sem sacrifícios por tempo determinado das partes envolvidas, no nosso caso governo e sociedade e em situações difíceis soluções amargas. Temos vários exemplos no passado, mas vamos citar apenas as situações que passaram os países envolvidos após as duas grandes guerras mundial, só que dessa vez todos os países estão enfrentando o mesmo problema e ao final desse período não terá nenhum para socorrer os outros, diferentemente do ocorrido nos pós guerra.

Acredito, no meu otimismo teimoso, que estamos no momento ideal dos poderes institucionais deixarem de lado suas mazelas e procurarem conjuntamente realizar um pacto realista e sério, diferentemente do que vimos na época inflacionária, que envolva o governo e a sociedade no esforço de recuperação da economia nacional que beneficiará a todos.

Para que isso aconteça uma ideia é melhorar a proposta do governo na instituição da contribuição digital como uma contribuição provisória de dois anos com uma alíquota menor, com limites de isenção para não atingir pessoas e empresas que tenham pequenas movimentações bancárias e em contrapartida que o governo diminua seus gastos no mesmo valor arrecadado anualmente. Caso confirme a arrecadação inicial prevista pelo governo federal teremos uma diminuição do endividamento do governo em torno de R$ 480 bilhões ao final da vigência dessa contribuição compulsória.

Além dessa antipática, mas necessária medida, deveria o governo mecanismo de redução da sonegação fiscal hoje estimada em R$ 500 bilhões anuais, assunto que os governos geralmente evitam.

Após esse período retorna-se às reformas não realizadas.


 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 06/08/2020 15:46

O dirigente e sua filosofia de gestão

Um leitor comentou que meu artigo “O maestro das organizações”, publicado nesse espaço em 22.07.2020, poderia ser de uma maneira mais objetiva para não se tornar cansativa “base filosófica”.

Toda ciência tem a filosofia como seu sustentáculo, pois ela é o campo de conhecimento que estuda a existência humana e o saber por meio de análise racional. A administração como toda ciência também tem a sua filosofia, sendo ela restrita ao campo do pensamento e da pesquisa da teoria e prática administrativa.

A filosofia, que é a forma de ser e agir, em nível empresarial é definida quando a organização anuncia a todos as pessoas do seu relacionamento a sua missão, pois é através dela que declara qual sua principal razão de ser, que quase sempre está exposta em destaque como uma obra de arte na sua entrada principal e que deve ser o norte principal do comportamento de seus colaboradores, cabendo a nós destinatários desses compromissos verificar, se de fato, as pessoas dessas organizações estão agindo de acordo com essa filosofia manifestada publicamente.

Esse marco intencional da organização, torna mais simples o posicionamento de seus dirigentes e qual a filosofia geral de gestão os seus líderes deverão replicar no relacionamento com seus subordinados.

No contexto da era industrial, a filosofia das organizações estava direcionada a eficiência de suas produções, seguindo as teorias da administração da época, nomeadas como clássica, na qual a preocupação fundamental estava focada nos equipamentos e manuais, ficando os trabalhadores limitados à utilização de suas capacidades físicas e habilidades manuais.

O desenvolvimento produtivo acelerou a necessidade das organizações a promoverem a organização nos seus diversos procedimentos, conciliando as diversas funções em uma estrutura de departamentos interdependentes, onde a soma do todo produzisse resultados melhores que a soma das partes isoladamente. Essa filosofia estava adequada á teoria estruturalista que despontou após a clássica, unindo atividades fim com atividades meio ou logística.

Até então as pessoas eram consideradas como simples “recursos-reserva”, termo utilizado por Frederick Herzberg em seu artigo Como você Motiva os Funcionários, podendo ser substituídas a qualquer hora e por qualquer motivo, como uma peça mecânica defeituosa.

Para preencher a ausência da importância das pessoas nos diversos processos produtivos das organizações, os cientistas comportamentais revolucionaram os modelos de gestão considerando-as como componentes imprescindíveis dos resultados pretendidos pelos dirigentes organizacionais, desde que fossem observadas e promovidas atitudes saudáveis aos funcionários como suas necessidades higiênicas e motivadoras, as atitudes, as competências, as expectativas, as aspirações profissionais em níveis individuais, No padrão coletivo a imparcialidade de tratamento, seriedade na avaliações de desempenhos, transparência nos processos decisórios são considerados fundamentais. A realização, ou não, desse universo de propósitos é que influenciará o clima organizacional favorável ou desfavorável aos valores humanos. Foi desses estudos, teses e pesquisas que surgiu a Teoria Comportamental da Administração.

O Wikipédia define filosofia como o estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento valores, razão, mente e linguagem, tornando mais simples entender que a filosofia de gestão nos leva a reflexão de como são conduzidos os processos dentro das organizações e as formas que como tais influenciam o modo de gerir pessoas.

Considerando as teorias da administração aqui tratadas, os dirigentes empresariais podem optar qual das três filosofias gerais da administração terá influência maior na sua gestão; a primeira baseada na engenharia da produção, a segunda na teoria organizacional e a terceira na ciência do comportamento.

Caberá ao dirigente a “escolha de Sofia” qual das três filosofias gerais predominará, porém diferentemente de “Sofia”, ele poderá trocar essa filosofia de gestão quando comprovar que a sua escolha não proporcionou os resultados que esperava. Não é demasiado repetir que quem proporciona resultados aos recursos imobilizados das organizações são seus recursos intangíveis, e o principal deles continua sendo as pessoas.

Como a filosofia tem como pilares a sabedoria plena e perfeita, mas conforme Pitágoras de Samos afirmou que esses atributos são apenas dos deuses, as pessoas devem, nas suas limitações humanas, procurarem incessantemente aprimorar essas qualidades.

Voltando à abertura desse artigo, as responsabilidades atribuídas aos subordinados serão coerentes com a filosofia de gestão dos dirigentes, que poderão ser restritas e controladas ou amplas e compartilhadas.

Os líderes que decidam.
 

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  • Eduardo Regueira Silva O que trasmito para minhas equipes e o trinômio;Teoria organizaciona,comportamental e por último, resultado,tenho tido bons resultados.
Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 22/07/2020 09:33

A nossa responsabilidade na escolha quadrienal

Esse ano teremos as eleições municipais, que por motivo da pandemia do Covit19 não será realizada no dia 4 de outubro próximo e sim no dia 15 de novembro. Nesta data será escolhido, pela maioria dos eleitores, quem será o CEO (o diretor executivo em português) municipal para um período de quatro anos, podendo ser reconduzido ao cargo por mais um período, caso os eleitores considerem que realizou uma administração à altura do esperado.

Acredito que os candidatos ao cargo estejam aproveitando esse período pré-eleitoral para, conjuntamente como os seus assessores mais próximos, pensar qual o panorama geral “empresa” de grande porte que poderá estar sob sua responsabilidade a partir de 01.01.2021 e as possíveis ações para se obter resultados visíveis de melhoria, caso seja o escolhido para o cargo disponível.

Quando alguém acredita que está credenciado, pelos seus conhecimentos e competências a conduzir os destinos de um município por um período de tempo determinado pela legislação, ele já deve possuir, mesmo que informalmente em seu cérebro, um pré-projeto do seu plano de atuação, ainda que tenha mais suposições do que conhecimentos concretos da realidade municipal quanto ao cumprimento das suas obrigações constitucionais. Não é de bom alvitre pretender uma posição dessa elevadíssima responsabilidade sem um norte que possa apresentar melhores resultados que os dos seus antecessores e caso algum candidato esteja convicto de que o interstício entre as datas de eleição e da posse é suficiente para iniciar as tratativas do assunto, já inspira que não está devidamente preparado para o cargo, pois essa presunção, por si só, é de uma administração nada diferente das que não deixaram saudades aos cidadãos municipais.

Limitando-nos aos desempenhos das administrações municipais, no geral os resultados apresentados aos finais de mandatos em relação ao prometido e esperado, infelizmente, nos induz a um pessimismo crônico de que essa malfada curva está difícil de ser revertida, pois no geral os serviços públicos não apresentam melhorias evidentes, bastando para isso observar os indicadores que nos são disponibilizados.

Como não temos bola de cristal para prevermos qual o candidato ao cargo terá melhor desempenho, caso escolhido, temos que nos apoiar no que conhecemos das trajetórias profissionais dos pretendentes, os cargos de direção que exerceram em instituições públicas e privadas e respectivos resultados das suas administrações.

Uma sinalização, também importante, é o conhecimento que demonstram dos problemas públicos locais, através das declarações nos seus discursos de campanha, pois são nesses eventos que temos a oportunidade de avaliar qual tem os melhores conhecimentos desses problemas, como também os seus planos e suas prioridades que nos deem a esperança que o nosso pessimismo crônico foi preconceituoso.

Atualmente a pesquisa estatística nos fornece, com unidades de medidas aceitáveis, os resultados de diversos serviços públicos, como a educação, a saúde e a segurança, como também a evolução econômica municipal e outros serviços públicos. Como o que não é medido não pode ser controlado nem melhorado, o conhecimento desses índices é a base que firmará um plano de governo eficaz e eficiente. Devemos observar qual dos candidatos que, nas suas declarações, sinalizou melhor conhecimento dessas situações, convencendo aos eleitores, por exemplo, ter noção da realidade da educação local através do resultado do último censo nacional realizado, se ela está acima ou abaixo da média regional, estadual e nacional e a partir daí apresente, de uma maneira geral, quais são os planos para que ao final do mandato, essa média apresente melhoria significante. A mesma atenção deve ser dada às declarações sobre a saúde, e segurança e como ele entende a maneira de melhorar os serviços públicos para que venham a contribuir, de modo efetivo, no auxílio às melhorias desejadas do desempenho desses segmentos.

Conseguir distinguir o pensamento dos candidatos da importância da infraestrutura do município como alicerce da sustentabilidade a um programa desenvolvimentista é importantíssimo, pois dependerá desse programa a diminuição da desigualdade social, que vem sendo muito comentada, mas sem propostas concentras de solução.

Quanto a economia local, precisamos de informações mais precisas para entendermos se o candidato tem conhecimento de como ela está evoluindo e se há índices confiáveis de acompanhamento desses dados. Como na maioria dos municípios com até cem mil habitantes ainda não determinou qual sua prioridade econômica, qual candidato tem a melhor noção desse tema, como também sua convicção qual segmento poderá, no menor prazo, proporcionar ao município um desenvolvimento sustentável e assim melhorar o padrão e a qualidade de vida das pessoas residentes na localidade, para priorizar suas ações do desenvolvimento desse segmento escolhido, seja na agricultura, indústria, comércio regional ou serviços, priorizar, mas não esquecer da relativa importância conjuntural de todos na contribuição sinergética desenvolvimentista.

Esses são questionamentos básicos, mas não conclusivos, que devemos nos fazer para melhor analisar e concluir qual tem, no nosso entendimento, melhores condições para impulsionar o desenvolvimento municipal.

Uma pergunta indefinitivamente continuada é por quê o desenvolvimento dos municípios brasileiros apresentam diferenças tão acentuadas nos seus desenvolvimentos. Marcos Lisboa em seu recente artigo “vamos conversar sobre o estado brasileiro”, de 11 do corrente mês, esclarece um pouco essa diferença, pois nossos gastos, em relação ao PIB, em políticas públicas são superiores aos emergentes, mas os resultados produzidos é uma vergonha comparados com os daqueles países, o que nos leva a concluir que é apenas uma questão estrutural de produtividade dos nossos serviços públicos. E um ponto importantíssimo para essa melhoria de produtividade é a valorização do servidor público, um recursos muito criticado e esquecido.

A certeza se o nosso escolhido, caso eleito irá promover essa produtividade e que os diversos índices terão melhoria percebida só saberemos após quatro anos da posse. Caso isso não ocorra, mais uma vez seremos corresponsáveis por mais um período de atraso.
 

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