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Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 01/11/2009 22:42

A Terra onde todo mundo é músico

A Terra onde todo mundo é músico
Filarmônica Guarany "Composição Remota" - Mestre Nozinho

À margem esquerda do Rio São Francisco, a pitoresca cidade de Pão de Açúcar teve como primeiros habitantes os índios “Urumaris”. Nas noites de verão, a lua cheia refletia-se nas águas calmas do grande curso fluvial. Os nativos, historicamente precursores da música, denominaram a localidade de “Jaciobá”, que em língua guarani significa “espelho da lua”. Tal sensibilidade poética não deixa de ser um prelúdio da vocação musical que passaria a ser uma peculiaridade do pão de açucarense.

E, foi nessa terra, “onde todo mundo é músico”, segundo a célebre citação do magistrado Dr. Antônio Arecippo, que despontaram figuras ilustres da historiografia musical nacional, como o genial violonista e compositor, Manoel Bezerra Lima, o “Nezinho Cego”, e o maestro Tenente Antônio Francisco dos Santos, mestre e “ensaiador geral” de bandas militares no então Estado da Guanabara, graduado em regência e autor de mais de 40 dobrados e marchas militares, que se encontram incluídos no repertório das mais famosas bandas do país, com ênfase para o vibrante e conhecidíssimo dobrado “Comandante Narciso”, de sucesso até na Espanha.

Segundo a monografia Pão de Açúcar - História e Efemérides, do autor Aldemar de Mendonça, os maestros Emídio Bezerra Lima e Abílio de Carvalho Mendonça foram pioneiros na disseminação da “Arte de Carlos Gomes” na localidade. Como ocorreu nas demais cidades do Estado, a fase áurea das bandas de música, que ficou conhecida como "A época das filarmônicas", nunca foi devidamente documentada, inexistindo maiores resquícios históricos sobre a trajetória da banda da atual Sociedade Musical Guarany, bem como de outras corporações citadinas existentes à época ou de suas precursoras. Pelo que consta, a corporação, que tem como referencial de origem a data de 15.03.1918, não detinha constituição formal, nem tampouco possuía vínculos com qualquer instituição local. Em realidade, enquanto em vida, foi inteiramente mantida pelo Sr. Manoel Vitorino Filho, o "Mestre Nozinho", maior ícone da história da banda de música em Pão de Açúcar, que passaria para a notoriedade como o incansável fazedor de músicos.

Sergipano de Neópolis, discípulo do mestre Emídio, professor, idealista, competente e desinteressado de qualquer remuneração financeira, desde o ano de 1917 até a sua morte em 1960, apenas com os parcos recursos da profissão de alfaiate, conseguiu manter a banda de música e uma orquestra de baile, com destaque para a impecável "Batuta" de 1922, sendo responsável, ao longo de quarenta anos, pela formação de três gerações de músicos. Seus dois irmãos, Américo de Castro Barbosa e José de Castro Barbosa (Duda), que residiram no Rio de Janeiro, também foram músicos extraordinários com passagens em orquestras famosas, inclusive internacionais, como a do notável regente “Fon Fon”.

Dentre os seus discípulos de carreira expressiva, podem ser destacados os maestros e mestres Racine Bezerra Lima (19º BC Salvador), Manoel Capitulino de Castro, o "Passinha" (Batalhão Exército Maceió), Francisco Ferreira e Fernando Mendonça ( Base Galeão RJ), Jonas Pauferro (Polícia Militar Alagoas), José Batista de Aquino, o “Duduca”, ( Polícia Militar de Sergipe), Zivaldo Ribeiro, “Zico” ( Batalhão de Guardas do Exército RJ) e toda plêiade de músicos e regentes da família Ramos: Petrúcio, Anacleto, Valter ( Base área Salvador), César (Polícia Militar Bahia) e Acilon (Polícia Militar Pernambuco).

Galeria de músicos: clarinetas: João Damasceno Souza (João Barateiro) - Ercílio - Etelvino Américo de Castro Barbosa – Francisco Simas – José Guimarães Pauferro – José Gonçalves Filho (“Zequinha de Mestre Salo”) – Valdomiro Mendonça – José Bento: Flauta: Jucelio Nascimento (genial flautista); requintas: Francisco Ferreira,“Mestre Chico” – Cícero Francisco de Brito, “Cafal” – Temístocles – José Mendonça; trompetes: Perdiliano de Souza, “De seu Né” – João Francisco da Silva - Racine Bezerra – Petrúcio Ramos – José Vieira – José Ramos – José Brandão de Souza – Bonerj Bezerra; trombones: Olegário - Antônio Simas João Rodrigues de Souza – Jonas Pauferro – Manoel Capitulino de Castro (Passinha) – Benedito dos Santos – José Batista de Aquino – José de Castro Barbosa; saxofones alto: Acilon Ramos – Valter Ramos – Anacleto Ramos – Norfolk Gomes dos Santos; saxofones tenor: José Mendonça – Zivaldo Ribeiro (Zico) – Williams Magno (Bille); bombardinos: Fernando Mendonça – Francisco Antônio dos Santos (Mestre Chiquinho) – Milton Torquato; trompas: Yoyô Vieira - José Alves dos Santos (Dedé Penteado) – José da Mena; contrabaixos: Lourival Simas (hélicon) -Afrânio Menezes (Bubu) – Luiz Marsiglia – Luiz Ignácio - Antônio de Melo Barbosa – Acineto Lima – José Ramos dos Santos (Zé de Caxapá); tambor: José Profeta Sobrinho (Carvão) – César Ramos; caixa: Erivaldo Ribeiro - Júlio Alves de Carvalho; pratos: José Costa – Jose Góes – Edidiê (Dezinho) - Manoel Rodrigues (Manoel de Iveco) e bombo: mestres Nozinho e Paulo.

Após a morte do mestre Nozinho, a corporação atravessaria um hiato de atividades, remanescendo apenas um grupo de músicos liderado pelo contrabaixista Afrânio Menezes Silva, o "Bubu". Mas, em meados de 1999, com a chegada do competente maestro, Petrúcio Ramos de Souza, oficial-regente reformado da banda da Base Aérea de Salvador, surgiu um novo surto musical na cidade de Pão de Açúcar e a formação de uma jovem e magnífica banda de música, inclusive dotada de instrumental importado.

Com a tutela da Loja Maçônica Jaciobá e o apoio parcial da Prefeitura Municipal, em pouco tempo, à luz de sua formação militar, o renomado mestre Petrúcio transformou uma garotada de tenra idade em musicistas disciplinados e de excelente padrão técnico. Nesse magnânimo trabalho de ordem cultural e social, também merece ser ressaltada a valiosa contribuição emanada de seu saudoso mano mais velho, o notável músico José Ramos.

Hoje, a Banda de Música Guarany é um orgulho da comunidade e uma grande revelação do Estado de Alagoas, sendo destaque, por onde se apresenta, pela sua disciplina, harmonia, e sonoridade. Novos talentos, como Sérgio Oliveira - Samuel Vieira - José Pauferro Neto - Jobe Alves - Ruan de Brito - Emerson Roniere e José Maurício dos Santos, perpetuam os grandes expoentes musicais do passado e a grande vocação musical da pitoresca cidade de Pão de Açúcar.

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  • Francisco Araújo Bela pesquisa, Wilson. A memória musical de Alagoas agradece.
  • Mateus Godoy Wilson, Ótima pesquisa Gostaria de saber se nesta sua pesquisa você possui fotos da galeria de músicos. Sou neto do Norfolk Gomes dos Santos. Caso tenha outras fotos, por favor, entre em contato
  • adriana souza voce não sabe o quanto estou feliz .só descobri hoje esse documentário;num momento de saudade do meu querido pai ACILON RAMOS,onde digitei seu nome pra matar a saudade e na certeza de que nada iria encontrar.derrepente fui surpreendida com esse maravilhoso documentário.me emocinei bastante...meus tios queridos,estou distante deles,em recife ,mas nunca os esqueço.amo pão de açúcar,aprendi a andar onde meu pai andava e herdei a música,não sou como meu pai e acho que nem vai existir,mais estudo clarinete e canto.agradeço tudo a ele o ser humano que sou, a meu querido pai ACILON RAMOS.muito obrigada.
  • Tatiana Obrigada pela pesquisa, Wilson ! Sou neta do Norfolk Gomes dos Santos e gostaria de saber se você tem mais algum material sobre a orquestra, fotos ...
Fernando Maximino Cruz Lessa

Fernando Maximino Cruz Lessa

Acadêmico de Direito e atento ao Direiro do Consumidor

Postado em 30/10/2009 00:01

Os empréstimos consignados em folha e o Direito do Consumidor

Frequentemente nos deparamos com uma situação que, atualmente, vem se vulgarizando em nosso país. Ao escutar um anúncio sobre empréstimos consignados em folha, já me bate a desconfiança na empresa, tamanho é o número de problemas surgidos destes contratos.

Por serem disponibilizados, na maioria das vezes, para aposentados, é grande a manipulação de algumas instituições que operam com essa modalidade de crédito. Excluindo(é devido salientar), as de boa-fé, que contribuem para a economia local e ajudam ao aposentado no mundo capitalista, encontramos empresas que, sem a menor segurança outorgam a qualquer interessado, a possibilidade de operar tais linhas de crédito. E mais grave ainda é o fato de ser outorgada de mesmo modo a atribuição de orga-nizar e recolher a documentação necessária para a devida formalização destes emprés-timos.

Uma pessoa de má fé, no uso destes poderes, pode buscar documentação de aposentados e formalizar contratos de empréstimos sem a sua solicitação e se apoderar do valor sacado.

O fato descrito acontece corriqueiramente em nosso meio. Diversos aposentados sofrem, muitas vezes sem saber, a manipulação de estelionatários que realizam estes empréstimos e continuam realizando os mesmos atos, pois se beneficiam da incapacidade física de suas vítimas.

Em alguns municípios a Defensoria Pública ajuizou Ação Civil Pública para acabar com a prática destes atos, o exemplo próximo é o município de Porto Real do Colégio aplicando-se uma multa consideravelmente alta para cada contrato formalizado irregularmente.

Mas, como o Direito protege o aposentado deste golpe frequentemente aplicado?

O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor responsabiliza o forne-cedor de serviços, independente de culpa, pelos danos causados por seus defeitos na prestação de seus serviços, vejamos: “Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.” Assim, o fornecedor assume o risco de sua atividade integralmente, devendo em qualquer caso que haja dano causado por ele, indenizar o consumidor no que lhe couber. No caso de empréstimos consigna-dos, o consumidor lesado geralmente é um idoso o que inclui o dano dentre as práticas abusivas do artigo 39 do CDC, vejamos: “Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição so-cial, para impingir-lhe seus produtos ou serviços.”

Portanto deve o consumidor, principalmente os aposentados, ficarem atentos. No caso de aposentado, verificar com frequência o seu histórico de consignações junto ao INSS se há algum empréstimo consignado não requerido. De mesmo modo aos funcionários públicos e demais com a possibilidade de realizar estas modalidades de empréstimos.

Constatando qualquer irregularidade, o consumidor deve buscar o auxílio de um profissional da advocacia para ter solucionado o seu problema.
 

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  • anderson Parabéns pelo artigo, não só você está atento, nós também estamos
  • Deilson Moreira Parabéns pelo artigo, mas faltou mencionar o Código Penal, que neste caso anda junto ao CDC, além do que prevê o CDC, o CP traz penas a este tipo de ação, no caso o estelionato, dentre outras práticas. "Título II, Capítulo VI, artigo 171 - obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício ardil ou qualquer outro meio fraudulento - Pena: reclusão, de 1 a 5 anos, e multa"
João Pereira

João Pereira

Advogado, escritor e atento observador da política

Postado em 22/10/2009 20:53

Políticos e Velórios

Assim como as flores têm o seu desabrochar durante a primavera, o cio das fêmeas para a reprodução no meio animal, percebemos que há, em síntese, um período para tudo na natureza.

Os políticos, seguindo essa linha do relógio natural a marcar a hora de sua hipocrisia, também tem o seu momento de falso sentimento e solidariedade ao próximo. Estamos a nos referir, em especial, à família do pranteado por ocasião dos velórios. Não perdem um, mesmo que na mais distante periferia da cidade. Podem até não conhecer o morto e seus familiares. O que lhes importam é o espólio eleitoral que possa usufruir da ingênua família. Marcam presença e fazem questão de serem notados. Não brigam entre si, da forma que os machos para definirem seu predomínio sobre as fêmeas em relação aos demais, porque tal gesto contraria frontalmente seus interesses. É o momento de se mostrarem contristados, revestidos, como ensinava Maquiavel, das mais belas virtudes humanas. Podemos não concordar com o teor da peça, mas é, convenhamos, uma cômica e divertida encenação.

Temos por vizinha, coincidentemente, a Igreja de São Benedito, local onde se realizam muitos velórios. Essa circunstância nos despertou, após uma longa observação, para a presente abordagem. Atualmente, por exemplo, ausente o período da campanha eleitoral, não vemos a presença dos políticos. É como se tivessem migrado ou em plena entresafra dos nobres sentimentos. Ausente a motivação, instigada pela burrice política, a verdade é que nada supera, na arte representativa, o múltiplo e magistral desempenho do interesse próprio.

Há poucos dias atrás, na referida Igreja, comentávamos a respeito desse comportamento, quando tivemos a oportunidade, coincidentemente, de contar um sonho bem a propósito. Os sonhos, como sabemos, são quase sempre estapafúrdios, sem pé nem cabeça. Ei-lo na sua esquisitice. O ano era de campanha eleitoral para escolha dos novos prefeitos e vereadores.

Num passe de mágica, achava-nos na companhia de São Pedro que percorria o Brasil de ponta a ponta, para conceder aos candidatos em geral, durante e após a campanha eleitoral, o direito de expedir passaporte das almas para o céu, contanto presentes aos funerais.

Finda a empreitada, transportamo-nos para um muro divisório entre o céu e o inferno. Aqui tive a oportunidade, num rápido olhar, de ver seus diversos degraus reservados aos condenados segundo o grau de seus pecados, como imaginava Dante. Também deu para ver uma pontinha do céu e algumas almas que chegaram durante as eleições. Exibiam, risonhas, os passaportes que lhes deram direito de entrada. Do lado de fora, em sentido contrário, encontravam-se as que chegaram após o pleito. Protestavam para entrar, alegando terem sido honestas, justas e humanas. São Pedro, não mais suportando o barulho, foi curto e grosso, dizendo-lhes: pouco me importam suas virtudes, sem a indulgência vocês terão de passar pelo primeiro degrau, reservado aos trouxas, aos crédulos e desatentos. Será por um breve tempo. Não fiquem contristados. Vocês serão justiçados. O último degrau, de horríveis castigos, está reservado para uma grande parte dos políticos, dos facínoras e autores dos crimes monstruosos. Sentindo-se aliviadas pela anunciada vingança, baixam a cabeça e, ensimesmadas, dirigem-se para o local recomendado.

Despertei e fiquei curioso por não ter esquecido nenhum detalhe desse estrambótico sonho. Mais ainda por perceber que em seu absurdo havia muito realismo. Assim, caro eleitor, se você acha que em seu velório, se resolver morrer no pós eleição, terá a presença de um político para conceder-lhe visto em seu passaporte para o céu, é bem mais provável que você terá uma breve estadia no inferno.

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  • Antonio Lins Na verdade João Pereira o que você quis dizer mesmo?
  • Melissa Muito bom. Parabéns pelo texto senhor João e continue a nos presentear com suas nobres e sábias palavras.
  • Clisse de albuquerque Senhores quemanuseiam o saite aquiaontece, nao aguentamos mais so sai artigo do joao perreira, somente ee escreve é? muda isso queremos modernidade ufffffaaa chatisse
  • Alexandre Tancredo P. Ribeiro É desnecessário qualquer comentário sobre os artigos criados pelo Dr. João Pereira e sobre o mourejado espaço que ocupa social e culturalmente na nossa Penedo. É desopilante encará-los por suas riquíssimas metáforas cravejadas pela excelência do humor social. Mais uma vez; PARABÉNS. Alexandre Tancredo
Isabel Cristina Medeiros de Barros

Isabel Cristina Medeiros de Barros

Clínica Geral com Pós-Graduação em Medicina do Trabalho

Postado em 20/10/2009 00:18

Ônibus da Saúde

Por que após mais uma década de bons serviços prestados, o EXPRESSO DA SAÚDE hoje se encontra abandonado no pátio da secretaria de saúde?

Corta o coração ver aquele veículo esquecido, à exposição do sol, da chuva e do descaso do poder publico depois de tantos anos servindo à saúde da população penedense, principalmente dos povoados mais distantes.

A história do EXPRESSO SAÚDE começou em maio de 1999, quando o vereador Dr. Raimundo Jorge era o secretário de saúde e fui convidada pelo mesmo para fazer parte da equipe e fui a “médica do ônibus”, juntamente com os dentistas Dr. Robson Lessa e Dr. Ubiracy A. Dantas, além do motorista e cuidador do ônibus, o Sr José Rodrigues da Silva (Zé Taba), que conduziu o seu companheiro e nossa equipe por todos esses anos. Fizeram parte dessa história outros profissionais, mas não vou citar para evitar o esquecimento de alguém, pois todos foram importantes. Vale salientar que a gestão passada deu continuidade e realizou melhorias no serviço que foi mantido durante todo o mandato.

Lembro com saudades dos sábados em que a “princesinha do agreste”, nome carinhoso dado pelo motorista Zé Taba, enfrentava sol, chuva e caminhos difíceis para atender em locais onde a assistência médica e odontológica era escassa, conseqüência da distância ou a falta de profissionais no PSF local. Recebido com alegria, o “EXPRESSO SAÚDE” se transformava num Posto de saúde ambulante cujo atendimento era bem-vindo e necessário para várias famílias carentes de atenção. Às vezes, acordar às 6 horas da manhã nos sábados para enfrentar os longos percursos era penoso, mas no povoado o cansaço desaparecia, diante da ansiedade do povo em ser atendido. Perdi a conta dos almoços com galinha de capoeira; nos povoados Santa Margarida, Conrado I e II, Marizeiro, Palmeira Alta, Manibú, Pescoço; além dos peixes deliciosos do Pov. Marituba do Peixe, Capela, Cooperativas e tantos outros servidos após os atendimentos.

Devo ao “amigo ônibus” o fato de ter conhecido quase todos os povoados e sítios desse município durante os quase dez anos de atividade no mesmo. O EXPRESSO também prestou seus serviços aos presidiários em frente à delegacia, devido à dificuldade obvia de acesso ao atendimento médico e odontológico e aos comerciários, no centro da cidade.

Acredito que os pedidos das comunidades para a ida do ônibus continuem, assim como a solicitação dos vereadores, para a presença do mesmo onde se faz necessário, mas, se esses pedidos são feitos, agora não podem ser atendidos, devido ao estado de “decomposição” em que se encontra o bravo veículo.

Neste descaso do poder público, o meu “amigo ônibus” definha em silêncio naquele pátio e pode se transformar em mais uma “sucata da saúde”. Esperamos que os que fazem o poder “acordem” a tempo de salvar o veiculo que foi a salvação de muitos e hoje precisa de salvação.
Ah! Pelo expresso e pelos “companheiros de aventuras”, aproveito para mandar lembranças a todos os outros lugares que passamos e que nunca serão esquecidos! Tabuleiro, Catrapó, Carapina, Campo Grande, Ponta Mufina, Castanho Grande, Prosperidade, Espigão, Pescoço, Marcação, Itaporanga, Ibiras I,II e III..............

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  • João da Costa lembramos do seu Zé Taba, e toda a equipe do onibus que sagradamente aos sábados vinha visitar a pobresa, hoje o seu Zé não tá mais, e os médicos são outros, isto é o que mesmo, politica da saúde da família.
  • Nani Rodrigues Ótima matéria!!! É hora de seguir em frente e reinvindicar o direito á saúde! Não se poder calar! É preciso resistir e lutar pela garantia do direito universal: Saúde, direito de todos|!
  • Alexandre Tancredo Pereira Ribeiro Nossa cidade vez por outra experimenta o progresso mentorado por pessoas otimistas que visam o bem coletivo. Mas infelizmente estas coisas que nos chegam por intermédio das vias políticas, tem vida curta ou este político é contemplado com novos mandatos, que continuará dando sustentação ao progresso implantado. Eis que o cargo é preenchido por um novo político eleito, então... deixa no esquecimento qualquer coisa feito pelo seu antecessor; com medo de que o povo se lembre apenas de quem realizou a obra. Um ledo engano, pois é muito mais lembrado pelo povo quem a conserva!!! Parabéns, DRª. Isabel Cristina precisamos de pessoas que utilizam os meios de comunicação e não tem memória curta.
  • fernanda maria matos dotora Isabel a saudade é grande , aqui na cooperativa jamais terá uma médica como a senhora , tudo de bom para a sen hora e toda sua família e muito obrigado por tudo que senhora fez por mim e por meus filhos
Wilson Lucena

Wilson Lucena

Jornalista, pesquisador e membro da Academia Penedense de Letras

Postado em 15/10/2009 20:04

A jóia do Velho Chico

Há 150 anos, o Imperador D. Pedro II, no período de 14 a 18.10.1859, a bordo do vapor Pirajá, singrando as águas caudalosas do majestoso e lendário “Velho Chico”, empreendia uma viagem inédita e histórica, visitando, no lado alagoano, várias localidades ribeirinhas do circuito Piaçabuçu/Piranhas. Esta região pitoresca, dotada de uma natureza exuberante e rico patrimônio histórico, tão bem decantada pelo augusto monarca, também ganharia notabilidade pela grande vocação musical. Obviamente, que a cidade de Traipu é uma das expoentes dessa tradicional escola do Baixo São Francisco em disseminar a “Arte de Carlos Gomes”.

A tradição musical de Traipu remonta à segunda metade do século XIX, época de estrutura econômica frágil e do “coronelismo”. Motivado pela esperança da juventude de uma vida mais digna através do oficio musical, da necessidade da banda de música para alegrar as festas públicas e pela fé e tradição religiosa do povo traipuense, o ensino da música se firmaria na comunidade. Não demorou muito para que surgissem as primeiras agremiações musicais, que possivelmente foram precursoras da atual Lira Traipuense. No ano de 1886 era fundada a Sociedade Club Doméstico Musical Guarany, que teve como primeiro presidente o Sr. Manoel Firmino Menezes Matos. Desponta também nesse período outra corporação antiga: a União Traipuense Musical.

Os primórdios históricos da música em Traipu têm como referencial o musicista José Leopoldino de Barros. Nascido na cidade em 4 de janeiro de 1881 e falecido em 1912, aprendeu música com um telegrafista e musicista, Lino Ferreira Lima, aprofundando os conhecimentos musicais posteriormente na capital baiana. Tomou-se exímio executante de violino, bombardino e outros instrumentos, tendo ficado bastante conhecido pelos relevantes trabalhos prestados à frente de uma das bandas existentes à época. Outros disseminadores da “Arte de Carlos Gomes” na comunidade foram os mestres Vieira e Hermínio.

Embora o movimento musical já se fizesse intenso, a Igreja, através de seus representantes paroquianos, viria a exercer importante papel na transformação da comunidade traipuense em promissor centro musical. Graças ao grande incentivo do padre Alfredo Silva, que passou pela Paróquia de Nossa Senhora do Ó, de março/1911 a maio/1949, o ensino da música ganhou um impulso considerável. Dentre os discípulos do aludido pároco, merecem citação a Professora Mariazinha Duarte, D. Angelita, o Sr. Onofre Bispo, responsável pela formação de um coral sacro orquestrado, e Ranulfo Carmo.

Com a alcunha de “Nô Morcego”, o mestre Ranulfo Carmo se destacou como professor, compositor, exímio músico e regente, com passagem em bandas militares da Bahia, Sergipe e Alagoas. Sua importância é salientada porque possibilitou a formação de um grande número de músicos numa fase que o movimento musical estava bastante fragmentado. Foi o primeiro professor da escola de música José Leopoldino de Barros, criada em 14 de Julho de 1946, na então gestão do Prefeito Benedito de Freitas.

Todavia, foi o mestre Nelson Palmeira que teve a imagem mais rotulada à banda Lira Traipuense. De estilo ortodoxo, foi por muito tempo o regente da corporação, cargo que ocupou com abnegação e austeridade, até a sua mudança para a cidade de Arapiraca, onde instalou a banda local, que hoje leva seu nome. O velho mestre ficaria imortalizado, ainda, por um feliz acaso. Uma das glórias eruditas do país, o eminente regente traipuense Florentino Dias, fundador e titular da orquestra sinfônica do Rio de Janeiro, dentre outras daquela capital, foi seu discípulo.

A partir daí, começa o ciclo do maestro Antônio Basílio no comando da Lira Traipuense, que perdura até hoje. Aluno do mestre Ranulfo Carmo, exímio trompetista e profissional perfeccionista, mantendo uma equipe mesclada de musicistas experientes com jovens talentosos, foi o grande responsável pela tradicional boa performance da garbosa e elegante agremiação traipuense, mérito que muito se deve, também, ao seu parceiro e eventual substituto, Nelson Souza, grande músico, instrutor e arranjador.

Dos regentes da escola traipuense que tiveram destaque em outros estados, além do erudito Florentino Dias, merecem menção: Benome (1º Batalhão de Guardas RJ) – Aníbal Palmeira (Polícia Militar DF) – Ivo Pacheco (Exército Salvador), Paulo César Amorim (Esquadra da Marinha – RJ) – José Gerônimo ( Polícia Militar SE). De igual modo, são alvo de referência os geniais instrumentistas Capitão José Henrique (bombardino) e Adiel Mota (clarinetista).

Galeria de músicos: clarinetas: Adiel Mota – Luiz Lucarino – João Ribeiro do Nascimento Alfredo Oliveira Silva – Eudes Mota – Ranulfo Carmo – João Canuto – Nelson Palmeira – Ismerino da Alzira; requintas: Felix Tomé – Pedro Basílio; flauta: Benome; trompetes: Antônio Basílio – Renato Melo Silva – Antônio Andrade – Paquinha – Jorge Luiz da Hora – José Cavalcante – Antônio Lúcio – Toinho da Noêmia- Nilton Souza; trombones: Geraldo Camilo – Eduardo Cocorote – Aníbal Mota – Nenzinho Alfaiate – Ivo Pacheco – Adelmo André - Manoel Rodrigues; saxofone alto: Pedro Basílio – Manoel Basílio – Antônio Epifânio – Antônio Basílio Neto (Toinho) – Janderson Teixeira – Chumbinho; saxofone tenor: Benigno Mota – Jarbas Melo – Manoel Carvalho – Benedito Alencar; bombardinos: Nelson Souza – Capitão José Henrique – José Basílio – Gervásio Palmeira; trompas: Messias dos Santos – Eanes Silva – contrabaixos: Palmeirinha Mota – Luiz da Margarida – José Gerônimo – Antônio Melo – José Marques (José Bozó) – Manoel Messias – Luiz Galvão (José Cabeceira); bombo: Francisco dos Santos (Chico Pimenta) – tarol: Givaldo Melo – José de Ouro; pratos: Alfredo Melo (Jegue).
 

 

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  • Demosthenes Barbosa No tarol e zabumba faltou ser lembrado a figura ilustre de Damião Galego (Roger) ha muitos anos sempre presente nas majestosas apresentações da LIra Traipuense.