04 Dezembro 2023 - 08:12

Prefeito de Maceió é acusado de terceirizar responsabilidade no caso Braskem; JHC recebeu R$ 1,7 bilhão de acordo com a empresa

Igo Estrela/Metrópoles
JHC recebeu R$ 1,7 bilhão de acordo com a empresa

A atuação do prefeito de Maceió, JHC, no caso Braskem tem sido bastante questionada por autoridades políticas e principalmente pelos maceioenses que estão sentindo na pele os danos provocados pela Braskem, que afeta uma área equivalente a 20% do território da capital alagoana e fez com que 60 mil pessoas deixassem suas casas desde 2018.

O ex-governador e atual ministro dos Transportes, Renan Filho, utilizou suas redes sociais para falar sobre o caso e afirmou que o prefeito busca desviar a atenção do público ao não explicar as razões por trás de um acordo bilionário prejudicial à população. Ele ainda questiona a falta de transparência na prestação de contas sobre como o montante de R$ 1,7 bilhão recebido pelo prefeito está sendo utilizado.

“O JHC passa a vida tentando terceirizar sua responsabilidade. Tenta desvirtuar a atenção das pessoas, não explica por que fez um acordo bilionário que é lesivo à população, nem presta contas de como está gastando esses bilhões. Se alguém esconde informação esse alguém é você, prefeito!”, declarou Renan Filho.

O acordo, assinado entre JHC e a Braskem, incluiu uma quitação ambiental por parte da empresa. No entanto, três anos após a celebração desse pacto, o prefeito agora solicita informações que, segundo o Instituto do Meio Ambiente (IMA), já são de conhecimento público desde 2018. O IMA afirma ter encaminhado todas as licenças ambientais concedidas à empresa para os órgãos fiscalizadores.

O diretor presidente do IMA, Gustavo Lopes, ressaltou a aparente falta de conhecimento do prefeito em relação à legislação ambiental. Ele sugeriu que JHC deveria buscar documentação junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável pela concessão de lavra, aprovação do plano de lavra da Braskem e fiscalização das minas.

“Além do que o que o IMA postou, gostaria de dar mais uma dica importante, já que o prefeito parece desconhecer a legislação. Ele deveria solicitar a documentação a ANM, já que a concessão de lavra e a aprovação do plano de lavra para a Braskem, assim como a fiscalização sobre as minas é deles”, declarou Gustavo Lopes.

Maceió enfrenta uma crise socioambiental que se aprofundou nos últimos anos, deixando em seu rastro bairros inteiros transformados em verdadeiros "fantasmas". Mutange, Bebedouro, Pinheiro, Bom Parto e Farol, localizados no entorno da lagoa do Mundaú, viram suas comunidades serem evacuadas devido ao constante risco de desabamento, decorrente da exploração mineral de sal-gema pela empresa petroquímica Braskem.

Desde 2019, aproximadamente 60 mil pessoas foram forçadas a abandonar seus lares devido ao temor dos tremores de terra, provocados pela exploração de 35 minas de sal-gema pela Braskem. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) aponta que essa atividade foi responsável por deixar milhares de pessoas desabrigadas e por transformar áreas outrora movimentadas em lugares quase desertos.

Na última quarta-feira (29), uma decisão judicial resultou na evacuação de 23 famílias remanescentes no bairro do Pinheiro, devido ao iminente risco de desabamento da mina número 18. Segundo a Defesa Civil, essa área apresenta potencial para criar uma cratera maior que o estádio do Maracanã, gerando preocupações adicionais para os moradores.

Enquanto a Braskem alega ter pago bilhões em indenizações e auxílios, a Defesa Civil pede que a população evite circular pelas áreas de risco. A incerteza paira sobre a região, com a perspectiva de um possível desabamento iminente, reforçando o drama vivido pelos moradores que viram seus lares se transformarem em bairros "fantasmas" à beira do abismo.
 

por Redação

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