Olhar do Turismo – Por Fabrício Vasconcelos

Olhar do Turismo – Por Fabrício Vasconcelos

Um convite ao lazer, cultura e informação

Postado em 01/08/2017 09:00

As ruas de Penedo com seus nomes peculiares e outros esquisitos

Arquivo pessoal
As ruas de Penedo com seus nomes peculiares e outros esquisitos

Qualquer pessoa que pesquisar sobre Penedo, vai entender que se trata de um município histórico de Alagoas. Mas, como nem tudo sobre a história foi publicado e esmiuçado, resolvi aproximar ainda mais o leitor sobre a ideia de contar um pouco das características de suas ruas, para fazer os demais relembrarem, ou quem sabe, acrescentar algo enriquecedor.


Além de ser um meio para facilitar o deslocamento dos transeuntes, as ruas possuem aspectos peculiares como os nomes pelas quais são conhecidas. No entanto, o curioso é saber qual a origem de tais denominações e por que foram criados nomes que deixam a gente de sobrancelha em pé.

 

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Partindo do centro de Penedo, temos as ruas Dr. Joaquim Nabuco, Fernando Peixoto e a Estrada Euclides Idalino. Até aí, tudo ok! O que poucas pessoas se dão conta é que a Joaquim Nabuco encontra-se entre duas igrejas; a São Gonçalo Garcia e a da Santa Cruz do Cortume. Nesta rua morou um dos maiores benfeitores do desenvolvimento turístico e educacional de Penedo, o ex prefeito Dr. Raimundo Marinho (falecido na década de 80) e, também, possui como diferencial, um prédio praticamente abandonado que, no passado, era um templo maçônico. Apesar das igrejas fazerem as pontas da rua, nenhuma delas a denominaram.

 

Arquivo pessoalJá a rua Fernando Peixoto é conhecida por rua Santa Cruz, fazendo referência à igreja que também é conhecida por igreja do Bom Jesus, devido a imagem do Bom Jesus estar guardada lá e pela tradicional procissão que acontece todo mês de janeiro. Esta observação é tão necessária e fundamental quanto explicar sobre a construção desta igreja, que se deu por um motivo bem macabro de fazer você se arrepiar.


De acordo com os contos populares, no espaço que hoje vemos a igreja Santa Cruz do Cortume, havia uma outra construção onde eram realizados eventos e se entendia como uma casa de prostituição. Certo dia, estava acontecendo um baile neste local, e entre as pessoas estava um homem bem vestido e que chamava a atenção de todos por seus traços finos, até que, no decorrer das exaltações, bebedeiras e tudo mais, todos começaram a sentir um forte cheiro de enxofre. Quando menos esperaram, perceberam que tal cheiro começou a vir deste indivíduo que começou a se transformar num ser fora do normal, com patas e chifres. Criou um redemoinho de vento que assustou a todos os presentes. Daí, o propósito de construir um espaço religioso como forma de abençoar o local e espantar os males.

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Arquivo pessoalProsseguindo com as curiosidades da rua Santa Cruz (ou Fernando Peixoto), encontramos as "casas da calçada alta". São cinco e estão a um nível maior que as outras casas por terem sido construídas num tempo em que as enchentes do rio São Francisco inundavam as ruas, por este motivo foi pensado uma forma em que os moradores destas residências não sofressem tamanho prejuízo quanto os demais.

 

Mais adiante você vai encontrar as travessas Fernando Peixoto, e não estranhe quando alguém lhe disser que mora no "beco da gaveta". O nome foi dado pelos moradores porque as ruas não têm saída.

E no fim da rua Santa Cruz, encontramos as seculares "sete casas". Residências que receberam a devida denominação por serem as últimas sete casas da rua e num estilo padrão que, no entanto, sofreram algumas modificações em seus interiores e na fachada ao longo dos anos.

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Para finalizar esta postagem, vale lembrar a Estrada Euclides Idalino. Ela já foi rua Fernando Peixoto; por ser uma continuidade da Santa Cruz após o cruzamento com a avenida Mário Freire Leahy. Também conhecida como sítio araçá; pelo expressivo número de árvores frutíferas dessa espécie que havia na região. E, o mais popular dos nomes, rua do "Cacete Armado". Este é um nome vergonhoso para alguns moradores que não gostam de usá-lo como referência em razão de sua ambiguidade.

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Vale ressaltar que a origem desse nome se deu por uma expressão verbal que o dono de um pequeno bar usou em reposta á uma provocação feita ao seu seio familiar. Uma determinada pessoa chegou para ele e disse que estava para chegar um grupo de homens com intuito de apossar-se de suas filhas. Até ele, enfurecido, responder com voz alta e em bom tom: "mande eles virem, que o cacete tá armado".


Não temos como negar que há outros contos, lendas e histórias em cada lugar por onde passamos. Você pode participar contribuindo com comentários, nos contando algo de seu conhecimento e/ou compartilhando esta publicação, colaborando com a cultura popular penedense e desenvolvendo o sentimento de pertencimento do leitor.
 

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Comentários comentar agora ❯

  • MAURICIO Caro blogueiro! Parabéns pela matéria, fico lisonjeado com essas informações . Perfeito.
  • Ana Paula Pontes Você já ouviu falar no Bairro Camartelo? Há quem o chame assim! Embora exista um entendimento do presidente do bairro, onde ele afirma que o Camartelo recebeu o título de bairro com a criação do Estatuto da Associação de Moradores do Bairro Camartelo, que em 1993 foi fundada a associação com a finalidade de tornar a região reconhecida com a intenção de atrair apoio governamental. E, a afirmação de um médico e escritor muito conhecido na cidade, de que era chamado bairro do Curtume, pois era lugar de criação de gado, onde o couro foi muito utilizado para a confecção artesanal de calçados e outros utensílios, posteriormente recebeu o nome da sua principal rua, se tornando Bairro Camartelo. Pois bem, Camartelo não é um bairro! Localizado no Centro Histórico da cidade de Penedo, compreendido na ZBM formada por cinco ruas: rua Sucupira, rua Pernanbuquinho, rua das Bananeiras, rua São Miguel de onde originou o nome do padroeiro da comunidade e rua principal Camartelo do Meio. Muito conhecido como Bairro Camartelo, porém de acordo com informações dos dados censitários da Secretaria de Saúde e do IBGE, o Camartelo não é legalmente comprovado como bairro, sendo seus trabalhos realizados respectivamente por áreas e setores. Não se pode garantir a sua origem, contudo, há quem diga que o seu nome foi doado por um inseto, naquele tempo o bairro era atingido por as águas do Rio São Francisco na época das enchentes e por ser um lugar onde o acúmulo das vísceras dos animais lançados em áreas abertas fez surgir parasitas indesejáveis e o tal mosquito foi o agraciado a doar o seu nome conhecido como Camartelo Outras razões levam a crer que na localidade havia uma atividade comum de artesões na fabricação de camas e se ouviam o som estridente dos martelos, formando uma justaposição do nome do artefato/cama com a sua ferramenta/martelo de criação surgindo então o nome Cama-martelo, assim chamado até os dias atuais. Mas o que muitos não sabem, Camartelo é instrumento de demolição, uma espécie de um pequeno martelo. Por: Ana Paula Pontes
  • Ana Paula Pontes Segue minha contribuição. Desculpa o textão. Sinta-se a vontade para resumi-lo
  • Fabrício O prazer é todo meu em saber que as pessoas estão lendo e interagindo com as postagens. Fico feliz demais! Obrigado mesmo. Um grande abraço e até a próxima!
  • george No Oiteiro a rua do Rosário chamavam de rua do "Papouco" e também de rua das "Pedrinhas". Mais acima tem a Rua Bela que chamavam de rua do "Rato"; atrás da sede do Cruz de Ferro tinha uma rua que chamavam de rua da "Priquita"
  • Fabrício Olá, GEORGE! Tantas ruas e tantos nomes rsrs... E essa ultima rua aí, hein?! Deve ser porque tinham muitos passarinhos kkkk... Muito obrigado pelo comentário!
  • Maciel Oliveira Prezado amigo, fico feliz e orgulhoso com seu artigo, isso é a nossa cultura, temos nomes de bairros que infelizmente foram mudados, como o Oiteiro, o Bairro Vermelho, Coreia, etc. Parabéns!!!
  • george Gostaria de pedir um favor, se possível,uma reportagem sobre costumes antigos da nossa cidade em todos segmentos,tipos matracas, fazer casas de taipa e depois dançavam um côco pra aterrar o piso,uma banda que tocava nas festas de S. do Bomfim que o meu avô Zé Matias era zabumbeiro;, reizado na Coréia comanda por Zé Fulô, plantações de arroz, pescarias e etc. Será um resgate a nossos costumes e culturas , hoje esquecidos como se nunca houvera. Fico agradecido desde já por sua atenção.
  • Fabrício MACIEL e GEORGE quero dizer que é um grande prazer poder compartilhar essas informações. Gostei bastante dos comentários e pode ter certeza que muitas coisas boas estão por vir. Obrigado pela leitura e grande abraço!