Olhar do Turismo – Por Fabrício Vasconcelos

Olhar do Turismo – Por Fabrício Vasconcelos

Um convite ao lazer, cultura e informação

Postado em 12/09/2017 09:00

A Raiz do Oiteiro e sua trajetória

Arquivo pessoal
A Raiz do Oiteiro e sua trajetória
Bairro Senhor do Bonfim - Oiteiro

Enedina Vieira da Silva e Cleide Mônica Alves são as mulheres com referências brilhantes em relação ao bairro Senhor do Bonfim, o Oiteiro. Estas mulheres me receberam em suas residências para uma prosa leve e relevante sobre a história do seu bairro. Aquele bairro que recebeu o apelido de “Oiteiro” por se encontrar num ponto alto da região próxima ao centro do Penedo-AL.

Arquivo pessoal

Bairro Senhor do Bonfim - Oiteiro

De significativa importância quilombola, este bairro ainda não tinha recebido uma descrição mais detalhada sobre sua origem, de forma a tornar público informações conhecidas apenas por poucos moradores. Até que o blog Olhar do Turismo resolveu dar algumas voltas pela região, “curiando” coisas que não são alheias à história do nosso município e têm importância para todos.

Arquivo pessoal

Praça do Oiteiro

Há quem diga que o Oiteiro é o segundo bairro mais importante do Penedo, e disso não tenho dúvida. Até porque, era lá que os escravos encontravam refúgio quando sofriam maus-tratos por parte de seus “senhores”. Era o lugar onde os quilombolas cultivavam arroz e levavam os pescados do rio São Francisco. Naqueles tempos era comum entrar na dança e se embalar com os ritmos do batuque que alegravam suas vidas, fazendo-os esquecer do sofrimento desnecessário de uma cultura violenta.

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Vista do Cristo - Oiteiro

Como a vegetação era alta e o local isolado, ficava fácil camuflar suas casas de barro e poder desenvolver uma comunidade que veio a gerar muitos descendentes ao longo dos anos. Informação essa que, aparentemente, não trouxe muito orgulho para as pessoas que se envergonham de suas origens. Como não se orgulhar de ser origem de um povo que lutou muito pela sua dignidade? Interessante mesmo é não ser racista.

 Arquivo pessoal 

Clube do Ferro, salão utiizado para reunião de jogares e pequenos eventos da comunidade

E com o passar dos anos a história só aumentou e nos deixou uma herança cultural e histórica. Agora o Oiteiro conta com a destacada estátua do Cristo, construída na década de 80 e abençoada por Frei Damião. O que para alguns a estátua está de costas para o bairro, na verdade o sentido é que o Cristo está de braços abertos para receber quem visita esta comunidade. A lógica pode ir além; somente pelo fato do Cristo estar instalado naquela região, isso já é um prestígio.

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Localização do Cristo no Oiteiro

Dona Enedina Vieira da Silva é conhecida no bairro como dona Necíla. Ela tem 86 anos de idade e participou da construção da igreja Senhor do Bonfim. A mesma me contou que uma paixão avassaladora pela fé, foi o motivo pelo qual os moradores se reuniram para construir a igreja às custas do suor que pingava desde as caminhadas em busca de contribuições ao transporte de materiais carregados por homens e mulheres.

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Igreja Senhor do Bonfim - Oiteiro

Conta-se que a antiga capela localizava-se naquele espaço entre as casas

Os trabalhos começavam no sábado à noite e terminavam no domingo, pois, de segunda à sábado as pessoas trabalhavam para a subsistência da família e, por este motivo, foram necessários 4 anos para que a construção da igreja fosse concluída. Daí, as missas deixaram de acontecer na pequena capela do Senhor do Bonfim que abrigava apenas 30 pessoas. Com isso, podemos observar que tratou-se de uma mobilização social em prol da fé, coisa muito difícil de se ver hoje em dia. Até parece que, de uns tempos para cá, a fé mudou (e os valores também).

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Dona Necíla mostrando uma de suas antigas moedas

A dona Necíla trabalhou como tecelã durante quarenta anos na fábrica Peixoto Gonçalves, localizada no município de Neópolis (SE) e mais cinco anos na fábrica Penedense, localizada no Barro Vermelho, aqui no Penedo (também como tecelã). Ela contou que os tempos eram difíceis, lembrando que, como naquela época não existia água encanada e nem luz elétrica, era necessário buscar água de uma fonte que fica na parte baixa do bairro.

 Arquivo pessoal 

Dona Necíla mostrando seu álbum de fotos onde participou das manifestações folclóricas do Penedo

Quando perguntei sobre o lazer das pessoas naquele tempo, dona Necíla contou que dançou muito “quilombo”, segundo ela, as danças eram de “nego nagô” e “d’angola”, embaladas por uma batucada, e que havia um chafariz onde se pagava um tostão (moeda da época) para tomar banho. Lembrou que ela é a única pessoa viva que ajudou na construção da Igreja Senhor do Bomfin, algo que me faz pensar que ela merece uma placa em sua homenagem dentro (ou fora) da igreja.

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A fonte de onde era retirada a água, está na parte onde se vê vegetação

Arquivo pessoal

Esta é a água que vem da fonte e deságua no rio São Francisco

Já a dona Cleide é a responsável por tornar o bairro do Oiteiro reconhecido como comunidade quilombola, pois a mesma, com recursos próprios, lidou com os processos burocráticos e conseguiu atingir o que almejava no ano de 2006, contribuindo de uma forma bastante significativa para a vida das pessoas que hoje usufruem dos benefícios oriundos do governo.

 Arquivo pessoal 

Estátua fazendo alusão a uma quilombola transportando água da fonte

Dona Cleide contou que já foi presidente do bairro e que é descendente de quilombola, daí vem a motivação em trabalhar a favor da cultura local. Além de saber e valorizar suas origens, dona Cleide disse que no bairro existia a única escola rural do município chamada Escola Professor Leônidas Sousa, era lá que, tempos atrás, uma pessoa com conhecimento de primário já poderia dar aula como professora e assim alfabetizar as crianças. Infelizmente o prédio da escola encontra-se em ruínas, mas acredito que muitos dos que passaram por lá conseguem se lembrar das coisas que vivenciaram.

 Arquivo pessoal

 Ruína da Escola Professor Leônidas Sousa

  As mulheres que foram mencionadas aqui têm a cultura quilombola enraizada em suas memórias de um jeito peculiar e inspirador. Espera-se que no Oiteiro sejam criadas ações para nos apresentar suas manifestações quilombolas. 

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  • Renata Que danadinho! Agora pode-se dizer que o Oiteiro tem história. Parabéns Fabrício!!! Brilhante ????????????????????????
  • Fabrício kkkk.... obrigado, RENATA. E olha que o Oiteiro ainda atem muito mais coisas para mostrar. Um abraço!
  • Inês Marinho Peixoto Fabrício você esta de parabéns em levantar mais uma vez a alta estima dos moradores dos bairros,contando a história esquecidas aos mesmos,continue assim,monstrando que Penedo tem muitas histórias e um grande potencial turístico.
  • Fabrício Olá, INÊS MARINHO PEIXOTO! Pode ter certeza que vem muito mais por aí... Obrigado pelo comentário. Abraço!
  • Rafa Gaan Parabéns Fabrício. Conte a história das ruínas do cuscuz
  • Simone Lourenço Parabéns mais uma vez pela iniciativa de nos mostrar que nosso Penedo tem muito mais do que os olhos podem ver.
  • Denilsom Parabéns pela reportagem, alto estima sempre.
  • Fabrício RAFA GAAN, obrigado pela sugestão. Gostei! No momento eu não prometo a da que será publicada sobre o assunto, mas irei pesquisar. Obrigado pelo comentário! Abraço!
  • Fabrício Muito obrigado pela leitura e pelo comentário, SIMONE LOURENÇO. Continue com a gente. Abraço!
  • Fabrício DENILSOM, brigadão pelo comentário. E é isso aí, fazer as coisas com prazer. Abraço!
  • george vieira costa Muito boa a reportagem,algumas observações; o club era "Cruz de Ferro!, mudou? Gostaria de saber em que data passou a ser "Oiteiro das Quilombadas";pois sou deste bairro e nunca se referia a ele com esse nome;sou sobrinho da Necíla.Busque mais que tem histórias sobre as tradições de uma terra de pessoas que fizeram e muito sobre costumes,tradição e a cultura alagoana.Abraços a todos deste que vive na saudade de suas raízes;bom dia.
  • Fabrício Olá, GEORGE VIEIRA COSTA! Obrigado pela leitura. Acredito que as pessoas chamam de "Clube do ferro" como uma forma de abreviar o que seria "Clube Cruz de Ferro", daí inseri a forma como as pessoas costumam falar. Que bom que o sobrinho acompanhou a publicação, dona Necíla é uma pessoa incrível. Sobre a data eu ainda não sei dizer, seria necessário um estudo aprofundado e, certamente, encontraria muito mais informações. Mais uma vez agradeço por participar e ficarei mais feliz se continuar acompanhando o nosso blog. Grande abraço!
  • Manoel Messias Como morador do "oiteiro" descendente e remanescente quilombola nascido aqui graças a Deus e como muitos pelas mãos de D. Marlene parabéns e obrigado pela matéria pois retrata um pouco da história do nosso bairro más acho que poderia ter sido feito um estudo mais aprofundado com pessoas idosas que conhecem bem a história do "oiteiro" como seu Zuza,Marlene,D.Raimunda,Tonho neguinho,Zé Basílio ( hoje não morando mais no bairro más no vizinho bairro vitória )esses citados aqui nasceram e construíram família no bairro e poderiam falar muito bem de nossa história e não deixar de citar muitas coisas e moradores ilustres como a construção da antiga escola Leônidas Souza,o américa "ambos em ruínas", a rivalidade entre américa e cruz de ferro, a importância do chafariz, das duas bicas, Joelzinho, a banda de pífanos dos folclóricos Dema e Dandô, dentre outras coisas que eu com meu pouco conhecimento não citei, e amigo e conterrâneo George o bairro continua a ser " oiteiro " não mudou de nome a não ser o oficial senhor do bonfim e a sede cresci ouvindo e até hoje a conheço como cruz de ferro. Mais uma vez agradeço e parabenizo Fabrício pela matéria e estimo que continue esse trabalho e quando e também possível poder falar sobre os filhos ilustres de Penedo.
  • George viera costa Bom dia Fabrício, obrigado por sua atenção e a forma educada com o respondeu-me; nasci em 1953 e saí do Oiteiro em 1966.Tenho alguns recibos do tempo em pai que meu pai comprou nossa casa na rua da Trindade,122; isso nos anos 40. Se ti interessar posso mandar pra vc, assim teríamos e trazíamos um pouco de resgate da história do nosso bairro,ok. Se ti interessar responda-me.
  • Gedalva Marinho Ótima Reportagem, Principalmente para aqueles que só fazem criticas sem conhecer parabéns...
  • Fabrício Muito obrigado pelas considerações, MANOEL MESSIAS. É tão bom saber que os moradores se interessam pela história do bairro e se motivam a contar mais e mais sobre as coisas que sabem. Isso é ótimo! Pode ter certeza que em próximas oportunidades entrarei em contato para buscar mais informações. Grande abraço!
  • Fabrício Oi, GEORGE VIERA COSTA. Se tem uma coisa que eu gosto é de interagir. É dessa forma que a gente fica sabendo o teor das publicações. Tenho interesse em ver os recibos numa próxima oportunidade e entrarei em contato para saber mais. Também te agradeço pela atenção. Abraço!
  • Fabrício GEDALVA MARINHO, muito obrigado pela leitura. O "Oiteiro" tem muita importância para Penedo. Um abraço!
  • central moto peças Gosto muito das suas reportagem ela mostra as verdadeiras belezas de penedo que poucas pessoas conhecem. e as que conhecem não dão o valor que ela merece. aguardo com ansiedade novas reportagens. parabéns pelo trabalho
Postado em 05/09/2017 09:00

A surpreendente Ladeira do Poderoso do Penedo - AL

Arquivo pessoal
A surpreendente Ladeira do Poderoso do Penedo - AL
Rua Alto da Pólvora ou Ladeira do Poderoso - Barro Vermelho

Quem já passou pela rua Alto da Pólvora não imagina que ali existe uma grande história envolvendo mistério, lenda e religião. Nem mesmo os moradores mais antigos desta rua já ouviram o termo “Ladeira do Poderoso” fazendo referência a sua rua. Um fato (ou lenda) histórico apagado pelo tempo na memória de grande parte dos penedenses, porém, que está registrado nos preciosos arquivos da Fundação Casa do Penedo e que o blog Olhar do Turismo tem a maior satisfação de mostrar ao leitor.

Igreja Santo Antônio - Barro Vermelho

Antes de descrever o motivo que deu origem ao nome “Ladeira do Poderoso”, é necessário contar que a rua Alto da Pólvora está localizada no bairro Santo Antônio, popularmente conhecido por “Barro Vermelho”. Foi neste bairro que começou a povoação do Penedo e, antigamente, era chamado de bairro Rocheira, devido as primeiras casas terem sido construídas lá no alto das rochas onde as embarcações atracavam para descarregar suas cargas.

Acervo do jornalista Nilo Sérgio Belo Pinheiro

Com o passar de muitos anos, o rio teve seu volume reduzido e, consequentemente, tivemos maior espaço de terra para construção de pontos comerciais promovendo o desenvolvimento do comércio naquele entorno. Quem vai ao bairro Santo Antônio, pode reparar que próximo a igreja de Santo Antônio existe um cais e este (cais) foi construído pelos moradores na primeira década de 1900 para nivelar a rua.

  

Cais do Barro Vermelho - Próximo à Igreja de Santo Antônio

O que impressiona é a capacidade de mobilização dos moradores deste bairro desde os tempos antigos. Para quem não sabe, os moradores se organizaram para transportar o barro vermelho, formado por argila, areia e filte, até a igreja de Santo Antônio, estimulados por cânticos e rezas comandados pelos capuchinhos Frei Angélico e Frei Gaudêncio. Isto foi feito em troca, com o governo, da reforma da igreja de Santo Antônio do Barro Vermelho que se encontrava em péssimo estado de conservação. É diante desse fato que já sabemos o porquê do nome Barro Vermelho ou Bairro Santo Antônio.

 

 

Praça da Alegria - Barro Vermelho

As novas áreas para construção deram origem às extintas fábrica têxtil e fábricas de óleo e sabão que, mesmo diante da exploração da mão de obra, garantiram a renda de mais de mil trabalhadores. Mas, o que resiste até hoje é um pequeno e secular estaleiro, situado às margens do rio, onde, vez ou outra, encontramos artesãos realizando a arte de fazer barco.

 

Antiga fábrica de sabão e atual Marina do Penedo - Barro Vermelho 

Do muro amarelo ao vermelho, todo este espaço pertencia à fábrica têxtil - Barro Vermelho

Esta casa pertencia ao dono da fábrica têxtil 

História para contar sobre o Barro Vermelho é o que não falta, por isso deixemos para descrever, muito mais, em outras oportunidades e voltemos ao curioso motivo que deu origem a nome “Ladeira do Poderoso”, citando, na íntegra, um trecho do livro Arruando Para o Forte, de Francisco Sales:

“(A Ladeira do Poderoso)... deve seu nome ao Santo Padre Francisco. Dizem que padre Francisco era milagroso. Certa feita foi desafiado por dois incrédulos. Se era verdade que tinha poderes, que os transformasse em pedra. E assim fez. Os ateus morreram naquele instante e imediatamente se transformaram em pedras. Verdade ou lenda, o certo é que o local do acontecido se firmou como Ladeira do Poderoso, como verdade também é o fato de ter esse padre transferido a feira do Penedo do domingo para o sábado, pois os homens deviam guardar os domingos em festa, nas obrigações da missa.

Rua Alto da Pólvora ou Ladeira do Poderoso

Particularmente, achei incrível este conto e fui buscar mais informações com o autor do livro. Além de descobrir que tal fato foi esquecido pelos penedenses, fui informado que a história do Padre Francisco é muito interessante. Ele foi um revolucionário, preso nos cárceres da Bahia e fundador da cidade de Santana do Ipanema, além de ter recebido o cognome de milagreiro.
Indo à rua Alto da Pólvora, em busca das lendárias pedras e mais detalhes dessa história, conversei com dois idosos que ali moram desde sempre. Eles me contaram, de uma forma bem alegre, que possuem mais de duzentos anos de idade e nunca souberam dessa história. Sabem apenas que o nome Alto da Pólvora é devido a uma casa de pólvora que lá existia e acabou explodindo. No entanto, agora já sabem que sua rua também pode ser chamada de Ladeira do Poderoso.

 

"Aterro" com vista para o rio São Francisco - Barro Vermelho 

O que resta é a certeza de que o município do Penedo é encantador e cheio de coisas bacanas para contar e que nos convidam a uma viagem na imaginação...
E você, sabia da história da Ladeira do Poderoso ou tem algo para contar? Fique à vontade para comentar e obrigado pela leitura!
 

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  • Tarcísio Marinho Muito boa a matéria, está de parabéns, saí de Penedo com 22 anos e nunca soube desse fato, bem interessante. Esse blog enriquece nosso conhecimento à cerca das curiosidades de nossa terra, que Deus ilumine cada vez mais para que preserve estimulado esse espírito de guerreiro!
  • Fabrício Muito obrigado pelo comentário, TARCÍSIO MARINHO! Que bom que gostou. Acredito que Penedo tem muita coisa bacana para mostrar. Abraço!
  • Lidiane Maria Encantada com cada descoberta!! Parabéns Fabrício Vasconcelos pela sua dedicação. Espero anciosa pela próxima viagem ao passado!!!
  • HELIO PALITO Parabéns pela matéria, uma visão especial, e vc Fabricio mostra que ama sua terra, amar Penedo não é preciso ser natiral, amar Penedo é gostar respeitar e acima de tudo falar das coisas boas de Penedo, em todo lugar tem coisas ruins. Va em frente vc merece.
  • Rafa Gaan Parabéns pelas pesquisas e por nos brindar com essas histórias.
  • Fabrício LIDIANE MARIA, fico muito feliz por saber que você vem acompanhando as postagens. Obrigado mesmo. Semana que vem tem mais. Grande abraço!
  • Fabrício HELIO PALITO, muito obrigado pelo apoio. Isso é fundamental para que as postagem continuem nessa linha. Um abraço!
  • Fabrício Muito obrigado pelo comentário, RAFA GAAN. Gosto muito desse feedback positivo. Abraço!
Postado em 29/08/2017 08:00

A lenda da Ilha de São Pedro e o nome Penedo

Arquivo pessoal
A lenda da Ilha de São Pedro e o nome Penedo
Pedra de São Pedro - Ilha de São Pedro - Penedo/AL

Às vezes as histórias se desencontram e a gente acaba tomando como verdade aquilo que nos é apresentado. Estou falando sobre o real motivo que deu origem ao nome Penedo. Fique sabendo que NÃO foi por causa da “rocheira”, que é um dos principais pontos turísticos do Penedo-AL e, onde podemos encontrar uma placa, em memória de Raimundo Marinho, cravada na rocha, afirmando que aqueles rochedos sobre os quais a cidade foi construída é que deram origem ao nome Penedo.

Foto da placa cravada na "rocheira"

Dessa forma, buscando informações históricas e ricas sobre nosso Penedo, descobri, primeiramente, que está errado falar “de” Penedo, “em” Penedo, “na” Penedo, “a” Penedo ou qualquer outra forma que desvie do gênero masculino da palavra Penedo. Assim sendo, é correto falar “no” Penedo, “do” Penedo, “o” Penedo, pois, Penedo é tido como um acidente geográfico precedido do artigo “o”; O PENEDO. Assim como a cidade do Recife (fazendo referência aos rochedos), já sabemos que é errado falar “em” Recife, “de” Recife, sendo que o correto é dizer “no” Recife, “do” Recife...

Apesar da liberdade na escrita ou na fala, ainda prefiro seguir a regra que considera o artigo “o” para a palavra Penedo e peço ao leitor que desconsidere as vezes que, erroneamente, utilizei “a”, “em”, “de” fazendo referência ao Penedo. Descobri isso no interessante livro “Arruando para o Forte”, de Francisco Sales e complementei o assunto com pesquisas na internet.


Folheando o livro de Francisco Sales, acabei descobrindo que existe uma grande pedra na Ilha de São Pedro a qual possui uma lenda curiosa que desperta o interesse do leitor, aquele leitor desconfiado que gosta de ver as coisas de perto. Eu sabia da existência dessa pedra, mas, os detalhes que fazem a história dela eram sabidos por poucas pessoas. Na página 86 você encontrará o seguinte trecho:


A lenda diz que São Pedro enviou o apóstolo São Tomé para pregar o evangelho nestas paragens e ensinar aos índios o cultivo da terra. E na ilha ali em frente existe um rochedo, a Pedra de São Pedro, onde Sumé, como os da terra chamavam e reverenciavam São Tomé, para provar seus poderes santos, em um ponto bem visível da rocha, deixou o registro de suas pegadas e da ponta de seu cajado.

Vista da "rocheira" para a Ilha de São Pedro

Trata-se de um registro histórico baseado nos estudos do historiador Antonio Gonçalves de Mello, que buscou informações em antiquíssimos documentos fazendo referência ao assunto. Quem estiver na “rocheira”, consegue avistar a Ilha de São Pedro, conforme foto acima. Segundo informações colhidas, em tempos do antigo prefeito do Penedo, Dr. Raimundo Marinho, era possível avistar, desta “rocheira”, a Pedra de São Pedro, pois havia preservação da história aliada ao fluxo turístico. Os turistas chegavam no Penedo, recebiam informações sobre a história da pedra e pediam para fazer a travessia com os barqueiros postos a realizar tal tarefa.


O tempo e o abandono de tal ponto de visitação permitiram o crescimento da vegetação em torno da Pedra de São Pedro, criando obstáculos de acesso e cobrindo-a completamente. Na margem da ilha, as plantas aquáticas cresceram em grandes proporções, impedindo qualquer embarcação chegar até a pedra. Parando a embarcação em um ponto mais distante da pedra e seguindo por terra, as árvores, ortigas, mato fechado, espécies de animais peçonhentos também são fatores que dificultam o acesso.

 

Plantas aquáticas que cresceram nas margens da Ilha de São Pedro

Vídeo: saindo do Bairro Santo Antônio em direnção à Ilha de São Pedro

 

Os pescadores mais antigos sabem e têm como verdade a versão de que o nome Penedo vem da rocha cravada na ilha. O interessante é que ao longo dos anos, ninguém ousou fazer o registro fotográfico de tal pedra para o público. Assim sendo, motivado pela curiosidade, ousadia e espírito aventureiro, decidi enfrentar os obstáculos que impediam a observação da grande pedra e, assim, contratei os serviços de um barqueiro que, prontamente, realizou algumas travessias comigo, orientando como chegar lá.

Faça chuva ou faça sol, um pesquisador precisa ir a campo


No entanto, cabe fazer uma observação; busquei informações sobre o(s) dono(s) da ilha para pedir autorização e fazer a travessia, porém, não obtive sucesso. No entanto, peço, respeitosamente, a compreensão do(s) proprietário(s) da ilha de São Pedro sobre a ousadia de invadir um território sem permissão, porém, o motivo da invasão se trata de uma pesquisa que vem trazer a público um assunto histórico e turístico que é de interesse de todos. É a história do Penedo.

Eu, senhor Edézio (de óculos) e senhor Jorge, comemorando com alegria nossa chegada à Pedra de São Pedro

Acredito firmemente que uma ação de limpeza para (re)apresentar a Pedra de São Pedro aos moradores, turistas e visitantes não seria apenas uma forma de reescrever a história do Penedo, seria mais um motivo para atrair pessoas que, assim como eu, gostaria de chegar perto da grande pedra que deu origem ao nome do município, fazer fotos da pedra que os pescadores mais antigos relatam que não houve enchente que a cobrisse, a pedra que tem a marca do pé e do cajado de São Tomé, a pedra que complementa a imagem turística do Penedo, a pedra que pode complementar a renda dos atravessadores (barqueiros) e, consequentemente, gerar mais ações que contribuam com o desenvolvimento turístico do município.

  

As fotos mostram o que seria a marca do pé de São Tomé (apóstolo de São Pedro)

Penedo tem potencialidades turísticas que precisam ser observadas e trabalhadas. E este blog, assim como a agência de viagens e turismo Mais Tour, vem trazendo contribuições que se somam ao objetivo de se ter um turismo com desenvolvimento sustentável.


 

Primeira selfie mostrando, ao fundo, a grande Pedra de São Pedro. A pedra que deu origem ao nome Penedo

 

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  • Joyce Palmas pra você!!!! Muito bom saber essa parte da história. Gostei do espírito aventureiro, viajei junto, me senti uma desbravadora lendo o texto kkkkk #conhecendopenedo
  • INES MARINHO PEIXOTO Bom dia,, Fabrício, você esta mais uma vez de parabéns,v esta monstrando de fato que Penedo tem realmente um grande potencial turístico que nem os próprios Penedenses conhecem ,monstrando com muitos detalhes o que você relata nos seus texto, isto só é visto por um olhar de um Turísmologo apaixonado por sua querida cidade pela o qual quer ver o seu desenvolvimento turístico.
  • Ana Paula Pontes Nascimento Olá Fabrício seria redundância da minha parte dizer parabéns. Vou deixar aqui meus parabéns infinito , para que fique de créditos para as próximas postagens rsrssr Muito bom ler e conhecer as hicórias de Penedo que não era do conhecimento das pessoas. Em meu trabalho de conclusão de curso eu usei essa citação: " Considerada a capital barroca do São Francisco, Penedo se mantém imponente sobre uma rocha acidentária na qual lhe conferiu o nome, e curiosamente por se tratar de um acidente geográfico é correto afirmar que seu nome venha precedido de artigo definido, isso explica por que do Penedo e não em Penedo (SALES, 2013,P.86). Estratégica e majestosamente está situada à margem esquerda do Rio São Francisco lhe emprestando o nome quando ainda era povoado, chamado de Vila de São Francisco, depois Vila do Penedo do Rio São Francisco e depois brevemente só Penedo, oficialmente em 1842.(Sales,2013; Mendonça, 2012)." Espero ter contribuído
  • André Duarte Parabéns Fabrício pela por essa bela iniciativa e contribuição no resgate de nossa história, Faço votos de muito sucesso desse seu blog que, sem dúvida, vai contribuir muito a quem tem interesse em conhecer nossa história e nossos potenciais.
  • Dalila Muito bom. To gostando muito das matérias. Parabéns pela iniciativa.
  • Fabrício JOYCE, e eu agrade seu comentário. Muito obrigado mesmo pela leitura!
  • Fabrício Pesquisar e ir até o local buscar informações é o que eu mais gosto, INES MARINHO PEIXOTO. Com estas postagens estou tentando contribuir com o processo de turistificação que Penedo precisa. Muito obrigado pela leitura!
  • Fabrício ANA PAULA PONTES NASCIMENTO, é sempre um prazer acompanhar seus comentários. É muito rico e vem a acrescentar. Obrigado por acompanhar as postagens do blog Olhar do Turismo.
  • Fabrício Uma das melhores coisas para mim, que me esforço para trazer algo interessante para o leitor, é receber o apoio nos comentários. Por isso, ANDRÉ DUARTE, muito obrigado! Logo mais tratarei de mais assuntos... Até breve!
  • Fabrício Oi, DALILA! Que bom que gostou. Próxima semana tem mais... Obrigado por ler e deixar seu comentário. Até mais!
  • Simone Lourenço Meus parabéns Fabricio, estou gostando muito das suas matérias a respeito DO Penedo (não esqueço mais "O"). Continue sempre nos agraciando e dividindo conosco suas descobertas interessantes. Sucesso.
  • Fabrício SIMONE LOURENÇO, muito obrigado pelo comentário. Logo mais trarei mais assuntos aqui... Bom , também, é saber que o blog informa e instrui rsrs... Abraço!
  • joel Excelente matéria! Muito boa a descrição da origem do nome da cidade, só uma pequena sugestão (não é uma crítica, apenas um ponto de vista) não enfatize muito o termo "animais peçonhentos", pois tudo pertence ao bioma, o que é ótimo! a natureza agradece! Pois muita gente corre disso ( o que para um atrativo turístico não seria interessante. Mas, como já disse, excelente matéria, PARABÉNS!
  • Fabrício Olá, JOEL! Compreendo sua sugestão e agradeço. Da mesma forma, agradeço o elogio. Muito obrigado, também, por comentar. Grande abraço!
Postado em 22/08/2017 09:00

O município de Penedo-AL revelado em fotos

Facebook: página "Fotos de Penedo"
O município de Penedo-AL revelado em fotos
Convento e Igreja Santa Maria dos Anjos - Centro histórico de Penedo-AL

Experimente pesquisar no google as palavras PENEDO ALAGOAS e busque por imagens, você encontrará várias fotos deste belo e histórico município do estado de Alagoas. Com isso pretendo estimular o bom uso da internet, onde postamos coisas do cotidiano e, as vezes, nem percebemos o quanto influenciamos nas pesquisas feitas pelos internautas.

 

Resultado da pesquisa de imagens no google: Penedo Alagoas

Há alguns anos, quando se digitava PENEDO ALAGOAS no google, da tela do aparelho utilizado (celular, computador, tablete...) só faltava pingar sangue nas mãos com a quantidade de manchetes de assassinato, o que não era nada legal para estimular um turista que estivesse pesquisando sobre a cidade com a finalidade de conhecê-la.

Facebook: página "Fotos de Penedo" 

Percebi que temos hoje, uma imagem do município de Penedo mais agradável aos olhos do pesquisador que se utiliza de tal ferramenta de busca na internet. Certo que ainda encontramos fotos registrando crimes e tragédias, pois os portais de notícias precisam desenvolver suas funções. No entanto, é maior a exposição dos encantadores pontos turísticos.

Facebook: página "Tour Penedo"

As redes sociais contribuem significativamente na criação de uma imagem positiva para Penedo. No facebook e instagram podemos encontrar algumas páginas que publicam fotografias do município, isso com tamanha maestria. Aqui está sendo apresentado fotos de Penedo nos tempos atuais, porém, se pesquisarmos por fotos antigas, certamente encontraremos resultado positivo, revelando registros históricos que, por alguns segundos, nos fazem voltar no tempo.

Facebook: página "Visite Penedo Alagoas"

Desenvolver o sentimento de pertencimento dos munícipes sobre sua terra é uma tarefa que requer atenção, cuidado, inteligência e sensibilidade. É bacana mostrar as riquezas culturais, históricas, ambientais que se tornam motivos para a visitação de outras pessoas interessadas por estes elementos tão particulares. É como se o turista pensasse: “o que esse município tem de tão legal que é tão querido por seus moradores? Já quero conhecê-lo!”

Facebook: página "Ana Paula Pontes Fotografia"

Temos exemplos muito claros, no facebook, por exemplo, de pessoas que são proprietárias de lojas de roupas fazendo seu marketing em pontos turísticos de Penedo, assim como os formandos de cursos técnicos e de graduação que também se utilizam dos espaços turísticos do município na criação do álbum de formatura. Os meios de hospedagem costumam criar suas ofertas mesclando fotos de atrativos turísticos. Ou seja, o município por si só é um cenário encantador.

Facebook: página "MD Formaturas e Eventos"

Como havia falado, as pessoas estão fazendo um marketing positivo do município inconscientemente, e isso só contribui com a imagem turística da localidade. Assim sendo, dentre as opções em mostrar o melhor ou o pior de sua terra, que tal postar mais fotos de momentos felizes nos pontos turísticos de Penedo? O privilégio é tanto do turista quanto nosso!

Facebook: página "Fotos de Penedo"

Facebook: página "Fotos de Penedo"

Facebook: página "Ana Paula Pontes Fotografia"

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Facebook: página "Visite Penedo Alagoas"

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  • INES MARINHO PEIXOTO Fabrício. só sendo um turísmologo mesmo pra ver o que você viu nestas fotos ,pq, eu mesma jamais iria percebe que estava sendo divulgada as belezas naturais da nossa belíssima cidade,continue assim postando estes lindos texto ,que você esta contribuindo com o desenvolvimento turístico da nossa belíssima cidade.
  • Fabrício INES MARINHO PEIXOTO, é um prazer poder contribuir com o desenvolvimento turístico do Penedo-AL. Grande abraço!
  • Ana Paula Pontes Nascimento Ai que lindo!! Vi agora as fotos desses bebes lindos que nasceram para abrilhantar a cidade de Penedo com suas imagens ingenuas e de uma beleza singular misturadas ao paisagismo arquitetônico e histórico dessa cidade encantadora. ,Perfeito!!
  • Fabrício ANA PAULA PONTES NASCIMENTO, sua percepção é muito boa e enriquece o que é postado. Muito obrigado! Até mais!
  • James Dantas Costa Muito boa a matéria! É gratificante ver que a cada dia mais pessoas se interessam em registrar o cotidiano e as belezas de nossa cidade, sejam em fotos ou vídeos - e me incluo entre elas :)
  • Fabrício JAMES DANTAS COSTA, você também merece os parabéns, A nossa cidade só tem a ganhar com isso. Obrigado pelo comentário! Abraço!
Postado em 15/08/2017 09:00

O misterioso túnel de Penedo- AL

Arquivo pessoal
O misterioso túnel de Penedo- AL
Rocheira - Ponto turístico de Penedo

Com esta publicação pretendemos criar algumas hipóteses que nos faça pensar sobre a existência de um túnel secular ou se este é apenas uma criação do imaginário popular. Dessa forma, gostaria de convidar você, leitor, a entrar em um imaginário túnel do tempo a fim de conhecer um dos motivos que incrementam e enriquecem a história do município de Penedo; o misterioso túnel.


Há anos, a população penedense comenta sobre a existência de um túnel que começa no Convento Franciscano Santa Maria dos Anjos e termina na “rocheira” - um dos principais pontos turísticos de Penedo. E por esse motivo decidi buscar algumas informações pertinentes.

Como se fosse um turista fazendo um ótimo passeio pelos pontos turísticos de Penedo, fui ao convento, ao museu “Casa do Penedo” e à “rocheira” com o objetivo de encontrar fontes de informação que assegurem a existência desse túnel. Encontrei escritos numa placa de informações turísticas, dentro do convento, onde a pesquisadora Cristina Sanchez menciona o seguinte: “Em baixo do vão desta escada, dizem existir o tão famoso túnel”.

Já no livro Arruando Para o Forte, de Francisco Sales – fundador do centro cultural Casa do Penedo, podemos encontrar nas páginas 80 e 81 o seguinte trecho: “... Na verdade, a cartografia do Forte Maurício evidencia a existência da passagem que servia para o abastecimento da fortaleza. Conta-se que muitos foram aqueles que ali entraram na busca de supostas riquezas deixadas pelos holandeses, mas que todo ganho se restringiu a uma bem solidificada loucura, além de parcas moedas e outros objetos. É gajão, só uma escavação arqueológica para encontrar a verdade dos fatos.” Observe que o objetivo do túnel era para ABASTECIMENTO DA FORTALEZA, ou seja, uma forma mais fácil e segura dos militares transitarem com seus objetos.

Livro: Arrunado para o Forte

Marquete do Forte Maurício de Nassau - Fundação Casa do Penedo

No entanto, circula por aí, uma informação distorcida de que a construção do túnel era para a fuga dos holandeses, e isso foi desmentido pelo fato de que não tem lógica um túnel ser construído para fuga dos holandeses, logo que a expulsão destes (holandeses) aconteceu 15 anos antes da construção do convento. Creio que esta informação contraditória não acrescenta em nada à história de Penedo e precisa ser repensada para poder transmiti-la aos penedenses e turistas.

Onde vemos pedras na parede, havia uma suposta entrada do túnel

Na verdade, a gente não precisa pensar muito para supor que o convento foi construído em cima do terreno onde era o forte e, o túnel, que antes era usado pelos holandeses para transitarem e, possivelmente, fugirem devido ao ataque dos portugueses (pois havia conflito entre holandeses e portugueses naqueles tempos), passou a servir para os construtores do convento com tamanha utilidade no deslocamento de materiais que compõem o acervo histórico do monumento.

Poderiam cobrir as outras paredes com pedra também, não? 

Daí, conversei também com informantes de turismo de Penedo, atuais e antigos, e alguns moradores do famoso Barro Vermelho (Bairro Santo Antônio). Grande parte acredita na existência do túnel, haja vista que teve gente afirmando que já entrou e andou alguns metros, mas que teve que voltar pois era muito escuro e haviam muitos morcegos, isso partindo do convento. Há depoimento de que Penedo recebeu uma equipe de especialistas que procuraram o túnel a partir da “rocheira”, porém, não conseguiram o resultado que buscavam. Os depoimentos deixam qualquer um, que creia na existência do túnel, impressionado e pensando por que o mesmo teve suas entradas fechadas. Será possível a existência de segredos que não podem ser revelados?

Há quem diga que o antigo prefeito, Dr. Raimundo Marinho, fechou a entrada que ficava na “rocheira”, no ano em que foi feita a reforma desse ponto turístico (entre as décadas de 70 e 80), por que algumas crianças tinham costume de entrar e chegaram a encontrar moedas. Mas o fato é que era perigoso adentrar no escuro túnel e, por isso, aquele local deveria ser fechado.


A igreja Nossa Senhora das Correntes também tem um suposto túnel. Uma ex informante de turismo que já trabalhou nesse ponto, relatou sobre a visita de um antigo morador de Penedo, que passou a morar em Maceió. Este visitante (aparentemente com 60 anos de idade) disse que todas as vezes que vem para Penedo, tem que entrar nessa igreja, porque lembra que quando era adolescente entrou no túnel com um amigo para saber onde era a saída, mas teve que voltar porque encontrou cabelos, ossos e muita sujeira, além da escuridão que o assustava todas as vezes que fazia a tentativa. O suposto local de entrada para o túnel, ficava em baixo do vão da escada de acesso ao altar principal (coincidentemente como no convento, perto da escada).

Igreja Nossa Senhora das Correntes

Era sabido pelos mais antigos que o suposto túnel da igreja das correntes fazia duas ligações, uma com a Ilha de São Pedro (que é possível avistar quando estamos de frente a igreja) e a outra com a “rocheira”. E para assustar os curiosos que ousassem entrar, falava-se na existência de uma grande serpente dentro desse túnel.

 

Ilha de São Pedro


Penso que, se realmente existiram tais túneis, o objetivo era transportar objetos de valor entre o local de desembarque (que seria o rio) e o destino (o Forte Maurício de Nassau), pois não poderiam circular por cima da cidade, logo que era um período de muito conflito entre os colonizadores e seria um risco expor as riquezas que chegavam a esta povoação. Talvez você possa pensar que as datas do Forte Maurício de Nassau, o convento e a Igreja das Correntes não coincidem, mas, basta raciocinar que a escavação de tal túnel faz parte da cartografia do Forte Maurício de Nassau e se encontra com os relatos de que o mesmo túnel era como um labirinto, o que me faz pensar que poderia ter saídas com a rocheira, convento, igreja das correntes, ilha de São Pedro e, quem sabe, alguma outra saída?!


O município de Penedo possui prédios seculares, alguns com passagens secretas para outros cômodos. No passado, era muito comum pensar uma forma silenciosa de escapar daquilo que poderia tirar sua liberdade de viver. O ser humano tem capacidade de pensar estrategicamente. As pirâmides do Egito, por exemplo, já não são tão misteriosas como na época de sua descoberta, pois algumas coisas já foram reveladas e, mesmo assim, ainda intrigam os pesquisadores. Tudo isso reforça o pensamento de que Penedo não é a “Ouro Preto do Nordeste” – como dizem algumas pessoas – e que é possível existir um túnel escondido. Quem desvendará o mistério?


E você, acredita? Conte para a gente nos comentários o que sabe ou ouviu falar, estamos curiosos.
 

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  • Deivisson B. S. Sousa Caro escritor, fato relevante sobre este tema é que os construtores do convento da cidade de Penedo também fizeram outras construções e em todas elas foram encontradas passagens secreta e túneis, salvo engano no estado de Pernambuco ha um convento dos mesmos construtores e com grandes semelhanças ao Penedense onde foi encontrado um túnel para fuga de franciscanos e escravos, reforçando assim a tese de que existia um túnel que interligava as igrejas convento Santa Maria dos anjos e a Igreja de Nossa Senhora das correntes em Penedo, já que na igreja das correntes temos um comungou num altar e a historia de moradores antigos de uma entrada que dava para um túnel.Sendo assim não se pode dizer que seja uma lenda e sim que não se tem informações concretas nem um estudo de caráter técnico para tal. Particularmente acredito que sim existiu um túnel como viés para Franciscanos e escravo fujões e que tenha se usado a edificação do túnel antigo do forte.
  • Amanda Santos Seria bom se alguém tentasse entrar nesse túnel e aí sim iria tirar todas nossas dúvidas e matar a curiosidade.
  • Gladystone Santos Amigo Fabrício, venho novamente lhe parabenizar por tal atitude, pois também sou um dos curiosos, sobre este suposto TÚNEL. Invejo até aos que relataram, ter adentrado no mesmo e que infelizmente só encontrara, teias de aranha, morcegos e ossos de não sei lá o que. Também já ouvi muitas estórias, nas quais em algumas até me arrepiei ! A dessa SERPENTE então ! Acredito ter sido a melhor maneira, de desacreditar e desestimular a coragem de um homem, quando se trata de BURACO e COBRA, ( túnel e serpente ).Desde pequenos aprendemos a "não botar a mão a onde não conhecemos, nem tão pouco pegar nas coisas dos outros", ( no que não é nosso ).Então acredito que com isso, muitos dos Penedenses não quiseram arriscar... Há muitos anos atras, fui procurado por uma equipe de arqueólogos e antropólogos,do Rio de Janeiro - RJ. A fim de desvendar esta história, lembro que na mesma época, não tivemos acesso, nem carta livre, dos RESPONSÁVEIS pela Igreja e Convento de Santa Maria dos Anjos, Então tivemos que colocar em prática o 2º plano. Eu junto com a equipe, fomos até as margens do Rio, na parte da tão famosa ROCHEIRA, e lá ficamos procurando o tal túnel, das 08:00 h. da manhã as quase 17: 00 h. da tarde, cortando matos, cavando próximo as pedras, ví até um cabra descer amarrado por uma corda, de lá onde ficava os mastros, mas não só ví uma vez não, foram várias, de muitos pontos estudados por eles, lembro do que encontramos, muitas cobras, escorpiões e caranguejeiras, mas túnel que é bom nada ! Percebi uma frustração, estampada na cara do chefe da equipe, mas também percebi que valera apena para eles o desafio, e como recompensa, Deus nos presenteou com um belo dia de Sol escaldante ! E do que mais lembro, é que me mostraram alguns riscos nas paredes, tipo marcações, linhas, que indicavam a passagem do mar a mais de 2000 anos atras... No mais amigo Fabrício, rogo pela descoberta do Túnel, se é que ele existe, pois terei mais um ponto turístico a mostrar para nossos visitantes, e que com certeza, nossa cidade ficará mais conhecida, ou reconhecida, pelas nossas histórias...
  • Fabrício Olá, DEIVISSON B. S. SOUSA. Muito obrigado pelo valioso comentário. Reforço também que o texto levantou hipóteses e crenças... Abraço!
  • Fabrício Oi, AMANDA SANTOS. Também gostaria que isso acontecesse rsrs... Obrigado pelo comentário. Abraço!
  • Fabrício GLADYSTONE SANTOS, você é demais. Muito obrigado pelo seu comentário que sempre vem a somar. A descoberta de um túnel como este, certamente, alavancaria o turismo em Penedo de uma forma extraordinária. Gostaria que fosse realizado novos investimentos em pesquisa para desvendar o túnel. Assim acabaria a (in)quietação de muitos. Abraço!
  • Leda santos Bem ,sei que está Rocheira tem mistérios. minha mãe como não tinha tempo para lavar roupas durante a semana ia sempre aos Domingos. Minha mãe já tinhao Lugar dela para lavar as roupas era na pedra do lado onde construíram aquela caixa de tratamento de água em frente ao campo. Bem, a maré estava baixa a pedra estava aparecendo , ótima para lavar as roupas pois a água não estava batendo até encima , estava do jeito que todos gostava para subir na pedra e pular . . Minha Mãe começou a empilhar a roupa para lavar quando de repente apareceu em cima da pedra do lado dela um garfo de ouro brilhava muito ela olhou e disse de onde veio isso que não estava aqui????? Ficou olhando alguns segundos e resolveu pegar , na hr que foi botar a mão para pega-lo o garfo desapareceu . Incrível , minha mãe ficou com medo . Tirou a roupa da pedra e lavou numa bacia . Eu na época tinha 8 anos hj com 51 mas nunca esqueci o medo de minha mãe.
  • Maria Gorette Muito bem Fabrício, tudo que faz é importante para nossa cidade, você com suas pesquisas traz informações que muitas pessoas não conhece, através de fotos, de definição do lugar, como surgiu, datas, você se refere com carinho, é uma expectativa boa para os turistas e moradores desta cidade. Obrigada amigo por dar o seu devido valor a nossa cidades e seus povoados, em uma dessas fotos eu estou. Bjsss
  • Fabrício LEDA SANTOS, que relato bacana. Gostei muito. Isso vem para somar com outros relatos de pessoas do Barro Vermelho... Umas senhoras contaram que as crianças ficavam nas margens do rio, (nas imediações da rocheira) na busca de pedras brilhantes e outros objetos de valor. Muito obrigado pela contribuição! Abraço!
  • Fabrício MARIA GORETTE, pode ter certeza que faço tudo isso com muito carinho e dedicação mesmo. Nossa cidade é incrível. Muito obrigado pelo comentário. Grande abraço!
Postado em 08/08/2017 08:30

O caminho da roça e suas interessantes histórias

Mais Tour
O caminho da roça e suas interessantes histórias

Trata-se de uma região interiorana do município de Penedo-AL, com distância de 15km do centro do belo município histórico, está situada às margens do rio São Francisco, é conhecida pela tradicional festa do Casamento do Matuto e que possui um nome nada comum. Estou descrevendo o povoado Ponta Mufina.


No entanto, antes de falar desse povoado, é interessante mostrar um pouco da história de alguns lugares que fazem parte do trajeto e tive o prazer de conhecer. A começar pela fazenda na foto abaixo. Nessa propriedade havia um antigo casarão do período colonial, e por motivo que desconheço, o mesmo foi demolido, restando apenas a memória de que havia um casarão onde, provavelmente, moravam os senhores de engenho, um tronco com correntes grossas cravadas do topo, acredito que servia para açoitar os escravos, e umas casas que, aparentemente, eram a senzala.

Arquivo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais adiante podemos encontrar o povoado Embrapa, o qual é tão antigo quanto o município de Penedo. Apesar disso, é mais curioso saber da existência de uma capela que não tem nome e foi construída, segundo o proprietário da fazenda, por um grupo de frades africanos. O melhor é imaginar a reclusão de pessoas religiosas num lugar tão isolado e distante da cidade no século dezoito, o que não era novidade para aquela época. Estive conversando com o proprietário João Góes Araújo, conhecido em Penedo por Duda Araújo, o qual, gentilmente, contou o que sabia desse assunto e selecionei um trecho da nossa conversa (início da postagem).

Arquivo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arquivo pessoal

Percorrendo pelas estradas de barro, nós chegamos ao povoado Ponta Mufina. Sua ruralidade não esconde o rico potencial que tem para o turismo ecológico. Considerando que a agência de viagens e turismo Mais Tour deu o primeiro passo para esta atividade, quando ofertou o projeto lazer alternativo, ao inserir este povoado como parte do roteiro turístico de Penedo, por ele possuir uma paisagem de encher os olhos.

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Mas como ter conhecimento sobre a origem do nome Ponta Mufina? Através da aplicação de questionário com os moradores locais. Sugeri que alguns jovens entrevistassem as pessoas mais velhas da localidade e, o retorno além de ter sido positivo quanto a receptividade em participar da pesquisa, tive a resposta unanime de que o nome Ponta Mufina é tão histórico quanto o tempo das caravelas, que seguindo em direção à Penedo, paravam naquela região devido a falta de vento (fim do vento) e tal local tinha como atracadouro uma ponta de uma ilha (ponta), daí percebemos que se trata da junção da ponta de uma ilha com fim do vento; Ponta Mufina.

Arquivo pessoal   

Em função disso, os tripulantes fixavam-se por ali até que os ventos voltassem a condição necessária para soprar as velas das embarcações que vinham para Penedo. Ou seja, reconhecemos o nosso presente quando estudamos o passado.

 


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Postado em 01/08/2017 09:00

As ruas de Penedo com seus nomes peculiares e outros esquisitos

Arquivo pessoal
As ruas de Penedo com seus nomes peculiares e outros esquisitos

Qualquer pessoa que pesquisar sobre Penedo, vai entender que se trata de um município histórico de Alagoas. Mas, como nem tudo sobre a história foi publicado e esmiuçado, resolvi aproximar ainda mais o leitor sobre a ideia de contar um pouco das características de suas ruas, para fazer os demais relembrarem, ou quem sabe, acrescentar algo enriquecedor.


Além de ser um meio para facilitar o deslocamento dos transeuntes, as ruas possuem aspectos peculiares como os nomes pelas quais são conhecidas. No entanto, o curioso é saber qual a origem de tais denominações e por que foram criados nomes que deixam a gente de sobrancelha em pé.

 

Arquivo pessoal

Partindo do centro de Penedo, temos as ruas Dr. Joaquim Nabuco, Fernando Peixoto e a Estrada Euclides Idalino. Até aí, tudo ok! O que poucas pessoas se dão conta é que a Joaquim Nabuco encontra-se entre duas igrejas; a São Gonçalo Garcia e a da Santa Cruz do Cortume. Nesta rua morou um dos maiores benfeitores do desenvolvimento turístico e educacional de Penedo, o ex prefeito Dr. Raimundo Marinho (falecido na década de 80) e, também, possui como diferencial, um prédio praticamente abandonado que, no passado, era um templo maçônico. Apesar das igrejas fazerem as pontas da rua, nenhuma delas a denominaram.

 

Arquivo pessoalJá a rua Fernando Peixoto é conhecida por rua Santa Cruz, fazendo referência à igreja que também é conhecida por igreja do Bom Jesus, devido a imagem do Bom Jesus estar guardada lá e pela tradicional procissão que acontece todo mês de janeiro. Esta observação é tão necessária e fundamental quanto explicar sobre a construção desta igreja, que se deu por um motivo bem macabro de fazer você se arrepiar.


De acordo com os contos populares, no espaço que hoje vemos a igreja Santa Cruz do Cortume, havia uma outra construção onde eram realizados eventos e se entendia como uma casa de prostituição. Certo dia, estava acontecendo um baile neste local, e entre as pessoas estava um homem bem vestido e que chamava a atenção de todos por seus traços finos, até que, no decorrer das exaltações, bebedeiras e tudo mais, todos começaram a sentir um forte cheiro de enxofre. Quando menos esperaram, perceberam que tal cheiro começou a vir deste indivíduo que começou a se transformar num ser fora do normal, com patas e chifres. Criou um redemoinho de vento que assustou a todos os presentes. Daí, o propósito de construir um espaço religioso como forma de abençoar o local e espantar os males.

Arquivo pessoal

 

Arquivo pessoalProsseguindo com as curiosidades da rua Santa Cruz (ou Fernando Peixoto), encontramos as "casas da calçada alta". São cinco e estão a um nível maior que as outras casas por terem sido construídas num tempo em que as enchentes do rio São Francisco inundavam as ruas, por este motivo foi pensado uma forma em que os moradores destas residências não sofressem tamanho prejuízo quanto os demais.

 

Mais adiante você vai encontrar as travessas Fernando Peixoto, e não estranhe quando alguém lhe disser que mora no "beco da gaveta". O nome foi dado pelos moradores porque as ruas não têm saída.

E no fim da rua Santa Cruz, encontramos as seculares "sete casas". Residências que receberam a devida denominação por serem as últimas sete casas da rua e num estilo padrão que, no entanto, sofreram algumas modificações em seus interiores e na fachada ao longo dos anos.

Arquivo pessoal

   Arquivo pessoal

 

Para finalizar esta postagem, vale lembrar a Estrada Euclides Idalino. Ela já foi rua Fernando Peixoto; por ser uma continuidade da Santa Cruz após o cruzamento com a avenida Mário Freire Leahy. Também conhecida como sítio araçá; pelo expressivo número de árvores frutíferas dessa espécie que havia na região. E, o mais popular dos nomes, rua do "Cacete Armado". Este é um nome vergonhoso para alguns moradores que não gostam de usá-lo como referência em razão de sua ambiguidade.

Arquivo pessoal

Vale ressaltar que a origem desse nome se deu por uma expressão verbal que o dono de um pequeno bar usou em reposta á uma provocação feita ao seu seio familiar. Uma determinada pessoa chegou para ele e disse que estava para chegar um grupo de homens com intuito de apossar-se de suas filhas. Até ele, enfurecido, responder com voz alta e em bom tom: "mande eles virem, que o cacete tá armado".


Não temos como negar que há outros contos, lendas e histórias em cada lugar por onde passamos. Você pode participar contribuindo com comentários, nos contando algo de seu conhecimento e/ou compartilhando esta publicação, colaborando com a cultura popular penedense e desenvolvendo o sentimento de pertencimento do leitor.
 

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  • MAURICIO Caro blogueiro! Parabéns pela matéria, fico lisonjeado com essas informações . Perfeito.
  • Ana Paula Pontes Você já ouviu falar no Bairro Camartelo? Há quem o chame assim! Embora exista um entendimento do presidente do bairro, onde ele afirma que o Camartelo recebeu o título de bairro com a criação do Estatuto da Associação de Moradores do Bairro Camartelo, que em 1993 foi fundada a associação com a finalidade de tornar a região reconhecida com a intenção de atrair apoio governamental. E, a afirmação de um médico e escritor muito conhecido na cidade, de que era chamado bairro do Curtume, pois era lugar de criação de gado, onde o couro foi muito utilizado para a confecção artesanal de calçados e outros utensílios, posteriormente recebeu o nome da sua principal rua, se tornando Bairro Camartelo. Pois bem, Camartelo não é um bairro! Localizado no Centro Histórico da cidade de Penedo, compreendido na ZBM formada por cinco ruas: rua Sucupira, rua Pernanbuquinho, rua das Bananeiras, rua São Miguel de onde originou o nome do padroeiro da comunidade e rua principal Camartelo do Meio. Muito conhecido como Bairro Camartelo, porém de acordo com informações dos dados censitários da Secretaria de Saúde e do IBGE, o Camartelo não é legalmente comprovado como bairro, sendo seus trabalhos realizados respectivamente por áreas e setores. Não se pode garantir a sua origem, contudo, há quem diga que o seu nome foi doado por um inseto, naquele tempo o bairro era atingido por as águas do Rio São Francisco na época das enchentes e por ser um lugar onde o acúmulo das vísceras dos animais lançados em áreas abertas fez surgir parasitas indesejáveis e o tal mosquito foi o agraciado a doar o seu nome conhecido como Camartelo Outras razões levam a crer que na localidade havia uma atividade comum de artesões na fabricação de camas e se ouviam o som estridente dos martelos, formando uma justaposição do nome do artefato/cama com a sua ferramenta/martelo de criação surgindo então o nome Cama-martelo, assim chamado até os dias atuais. Mas o que muitos não sabem, Camartelo é instrumento de demolição, uma espécie de um pequeno martelo. Por: Ana Paula Pontes
  • Ana Paula Pontes Segue minha contribuição. Desculpa o textão. Sinta-se a vontade para resumi-lo
  • Fabrício O prazer é todo meu em saber que as pessoas estão lendo e interagindo com as postagens. Fico feliz demais! Obrigado mesmo. Um grande abraço e até a próxima!
  • george No Oiteiro a rua do Rosário chamavam de rua do "Papouco" e também de rua das "Pedrinhas". Mais acima tem a Rua Bela que chamavam de rua do "Rato"; atrás da sede do Cruz de Ferro tinha uma rua que chamavam de rua da "Priquita"
  • Fabrício Olá, GEORGE! Tantas ruas e tantos nomes rsrs... E essa ultima rua aí, hein?! Deve ser porque tinham muitos passarinhos kkkk... Muito obrigado pelo comentário!
  • Maciel Oliveira Prezado amigo, fico feliz e orgulhoso com seu artigo, isso é a nossa cultura, temos nomes de bairros que infelizmente foram mudados, como o Oiteiro, o Bairro Vermelho, Coreia, etc. Parabéns!!!
  • george Gostaria de pedir um favor, se possível,uma reportagem sobre costumes antigos da nossa cidade em todos segmentos,tipos matracas, fazer casas de taipa e depois dançavam um côco pra aterrar o piso,uma banda que tocava nas festas de S. do Bomfim que o meu avô Zé Matias era zabumbeiro;, reizado na Coréia comanda por Zé Fulô, plantações de arroz, pescarias e etc. Será um resgate a nossos costumes e culturas , hoje esquecidos como se nunca houvera. Fico agradecido desde já por sua atenção.
  • Fabrício MACIEL e GEORGE quero dizer que é um grande prazer poder compartilhar essas informações. Gostei bastante dos comentários e pode ter certeza que muitas coisas boas estão por vir. Obrigado pela leitura e grande abraço!
Postado em 25/07/2017 08:33

A mulher que mais contribuiu com o folclore penedense

Arquivo pessoal
A mulher que mais contribuiu com o folclore penedense

A postagem da vez é uma dedicatória inspiradora que conta um pouco da história de uma penedense determinada, autêntica, criativa e que sabia o que queria e como fazer para alcançar seus objetivos; o nome dela é Antônia da Silva Peixoto, conhecida pelos mais antigos e pesquisadores por Toinha Pitu ou Toinha dos Anjos.


 Dizer que ela foi a mulher que mais contribuiu com o folclore no município de Penedo, soa como uma afirmação emblemática e merece ser dissecada. Dessa forma, simbolicamente como numa colcha de retalhos, em que o alfaiate costura os pequenos pedaços de tecidos até formar o que serve de agasalho – e ao mesmo tempo nos remete ao passado – colhi informações das pessoas que conviveram com a personalidade homenageada, a fim de transcrever esta publicação.


 Conta-se que Antônia Peixoto não gostava do apelido Pitu, que se deu devido seu irmão, João Pitu. No entanto, respeitosamente, o nome Toinha Pitu era referência quando se falava em assuntos voltados à cultura, folclore e demais tradições populares, pois a mesma era dotada de um conhecimento pela arte de planejar e desenvolver suas paixões pela encenação, danças e canções, preservando a memória coletiva.

Arquivo pessoal
A limitação financeira que ela tinha para custear cursos de aperfeiçoamento na área, não era motivo que a impedia de desenvolver de forma alegre e criativa as manifestações folclóricas. Enquanto técnica em enfermagem, a mesma utilizava parte de seus recursos e contribuições de comerciantes e políticos, para a compra de materiais.


Se atualmente, falar em preservação e desenvolvimento de atividades culturais, como fonte para o desenvolvimento econômico e social, já é um assunto pouco valorizado, quiçá, numa época em que falar de turismo era coisa de outro mundo. Mesmo assim, sua capacidade de mobilizar os munícipes era tamanha quanto sua exigência pelo trabalho bem feito.


Além de realizar a coroação de Nossa Senhora, na Igreja Nossa Senhora dos Anjos (Convento Franciscano) e participar do coral das igrejas, era a pessoa mais capacitada para reunir crianças, formando grupos que compunham os anjos no convento, pastoril e quadrilhas, onde foi precursora. As crianças, incluindo seus sobrinhos, estavam sempre à procura de uma vaga para participar e ninguém pagava.


Toinha Pitu faleceu no ano de 1999, ao 75 anos de idade. Sem dúvida, ela fez a diferença na vida de muitas pessoas através da arte, contribuindo com o desenvolvimento do folclore de forma saudável e generosa, o que resultou em memórias felizes.

 

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  • Penedo Espero que não deixem de existir pessoas assim. Que nossa cultura não se perca. Que a identidade do nosso povo não morra. E que existam sempre canais abertos para a nossa história.
  • Geilsa Martins Rocha Tive a honra de participar de algumas encenações bíblicas na Catedral de Penedo, sob o comando e direção de Toinha Pitu. Era uma festa. As crianças adoravam aquilo tudo. Belas lembranças desse tempo!!
  • Fabrício Obrigado pelos comentários!
  • Tania Cabral Que belo texto Fabrício ! Mais informaçaoes importantes sendo compartilhas do nosso e para nosso povo penedense. PARABÉNS, sou sua fã !
  • Ana Paula Pontes Nascimento MAIS QUE BELO TEXTO E QUE MARAVILHOSA HISTÓRIA, GOSTO MUITO DE HISTÓRIAS POPULARES COM PERSONAGENS REAIS... MEMÓRIAS DE PENEDO... MUITO BOM!! NÃO TINHA CONHECIMENTO DE TOINHA PITU. PARA VOCÊ VÊ, QUE DELÍCIA ACESSAR SEU BLOG E PODER CONHECER HISTÓRIAS MEMORÁVEIS... BONS RESULTADOS!!PARABÉNS!!
  • Fabrício Feliz com os comentários de vocês, viu. Muito obrigado!
Postado em 18/07/2017 08:49

Relatos curiosos de turistas em Penedo-AL que alimentam nossa imaginação

Receptivo Tour Penedo - Márcio Felipe
Relatos curiosos de turistas em Penedo-AL que alimentam nossa imaginação

Penedo-AL, um município com construções seculares e repleto de histórias para contar. Apesar dos registros documentais disponíveis nas bibliotecas e internet, temos muito a aprender com a tradição transmitida oralmente de uma geração para outra, em forma de contos, lendas, canções e etc.


E nesse ritmo, é interessante complementar os fatos narrados por visitantes e turistas à bela igreja Nossa Senhora da Corrente (nome dado, devido uma imagem conhecida por segurar uma corrente em suas mãos). O mesmo nome desta igreja é conhecido no plural – Nossa Senhora das Correntes (devido as correntezas do rio São Francisco que, em determinadas épocas do passado, destruía a pequena capela, até que foi feita uma promessa de construção de uma igreja, naquele mesmo lugar e com este nome, para assim, o rio não poder levá-la à ruína).


Percebi o quão importante é, fazer essa associação dos relatos dos turistas como forma de motivar outras pessoas a conhecerem o local de perto e, também, instruir sobre a preservação do patrimônio. Até porque, o turista que se encanta com a história do lugar visitado, faz propaganda gratuita.


Num certo dia, estava conversando com uma pessoa que já trabalhou na igreja da corrente (pediu sigilo) e me contou suas conversas com os turistas que foram a este ponto de visitação; uns motivados pela curiosidade e outros pelo medo, relatos a serem abordados a seguir:


...dentro da igreja tem um cubículo que servia para esconder os escravos quando fugiam das fazendas. Daí, uma turista galega (denominação para loira), que já tava vindo do museu do Paço Imperial, chegou perto desse cubículo e disse que estava sentindo a presença dos escravos e ficou se arrepiando...

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Segundo a história, os donos da igreja eram abolicionistas e ajudavam os escravos a se esconderem de seus senhores, dentro deste cubículo, por um período de dois a quatro dias. O cubículo é um pequeno espaço, com porta camuflada, situado dentro da igreja.


...teve uma vez, um senhor que já tava na fronteira de Sergipe com Bahia, dirigindo o carro e contando a filha que na igreja tinha uma urna com os restos mortais da família Lemos, e ele trouxe a menina pra ver os ossos, só pra satisfazer os gostos dela...


O próximo relato é de uma peregrina que estava passando por Penedo, rapidamente, por um motivo não menor que o medo. Entenda o porquê:


... outro dia veio uma senhorinha dizendo que tinha que sair rápido de Penedo. Ela disse que se a corrente, que fica nas mãos da santa, cair, a cidade vai afundar e encher de água. É sério, ela tava morrendo de medo. Ela é de lá do interior...


Estes são apenas relatos que você pode tirar suas próprias conclusões. Tenho certeza que existem muitos outros, e você, tem algum para nos contar? Escreva nos comentários que já estamos curiosos.
 

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  • Ana Paula Pontes Nascimento Acho que sei quem é essa pessoa, ela também me contou muitas histórias Rsrsrsr "Num certo dia, estava conversando com uma pessoa que já trabalhou na igreja da corrente (pediu sigilo)". No momento não tenho lembranças das histórias que me contou. Mas sei de outras igrejas. No decorrer dos Artigos, na qual for referenciadas, eu conto. Bjos! E mais uma vez parabéns pelo belíssimo trabalho!!.
  • Fabrício rsrs.... Obrigado, Ana Paula.
  • Gladystone Santos Parabéns amigo, por nos enriquecer, com mais contos de nossa belíssima Igreja da Corrente. São muitas estórias construídas ao longo do tempo, mas como já dizia Raimundo Marinho. " Dizem que a história é feita de sonhos..." Então que bom termos a liberdade de sonharmos, e de colocarmos esses sonhos em prática, transformando-os em histórias. Mas vamos voltar as estórias, que são contadas com grandes enfases, aos nossos visitantes. Uma das mais interessantes, é a que : " Os moradores da Ladeira da Cadeia, Rua Dâmaso do Monte, diziam que nas madrugadas frias, ouvia-se barulhos de correntes, sendo arrastadas ladeira abaixo, em direção da igreja, e que ninguém nunca teve coragem de abrir suas portas ou janelas para espiar o ocorrido ". Se é verdade ou não, sei que os turistas adoram, de uma coisa tenho total certeza. O povo medroso ! Parabéns Fabrício !
  • Fabrício GLADYSTONE SANTOS, fico muito feliz por sua avalização. Logo você que vivencia o turismo em Penedo, realizando serviços de informação turística. Muito obrigado pelo comentário enriquecedor.
Postado em 11/07/2017 07:55

Duas perguntas que você pode fazer para um(a) turismólogo(a)

Arquivo pessoal
Duas perguntas que você pode fazer para um(a) turismólogo(a)
Rocheira - Ponto turístico de Penedo-AL

O assunto do momento se baseia em duas possíveis perguntas que você pode fazer a um turismólogo(a), acerca da realidade turística do município de Penedo-AL, abrangendo as curiosidades comuns de quem se interessa pelo assunto, de forma a criar uma retórica interessante para todos. Enquanto profissional da área, propus algumas respostas. Vamos a elas:


1° As pessoas, de uma forma geral, definem o turismo como o ato de viajar. Mas, enquanto turismólogo, o que poderia nos explicar sobre essa área?


O turismo atende a todos. Ele tem como ponto principal os viajantes, os quais motivados pela necessidade de usufruir do lazer, viagem de negócios, tratamento de saúde, finalidade educativa e etc., com permanência no destino por um período igual ou maior que 24h, acabam influenciando de forma direta e indireta as pessoas e o meio onde se hospedam. Não é à toa que o turismo é uma atividade que vem crescendo a cada dia, gerando emprego e renda, transformando realidades locais e influenciando mais pessoas para este setor.


2° Por que investir no turismo?


De uma forma prática, vou exemplificar e mexer com seu imaginário. O turista chega em Penedo para se instalar por dois dias, numa viagem de lazer. Nesse tempo ele pagou, em dinheiro, pelo serviço de hospedagem, serviço de acompanhamento de informante de turismo, passeio de barco, serviços de alimentos e bebidas, serviço de transporte coletivo e/ou alternativo (ônibus, táxi, moto-táxi), comprou souvenirs e antes de se despedir do município, comprou passagem aérea na agência de viagens e turismo Mais Tour.


Daí, se você perguntar: quem se beneficiou com a presença do turista foram os atores citados? A resposta vai ser um enfático NÂO! Porque o dinheiro recebido pelo estabelecimento de hospedagem, pode ser gasto numa gráfica, na confecção de panfletos, o informante de turismo poderá comprar um novo relógio, o barqueiro poderá investir em novos coletes salva-vidas, o dono do restaurante poderá comprar novos talheres, o taxista poderá pagar o emplacamento do veículo, o vendedor de souvenirs, por exemplo, comprará tapetes de “bem-vindo” e a agência Mais Tour, investirá em mais publicidade. Ou seja, setores que, outrora, poderiam pensar que não tinham nada a ver com o turismo, também receberam parcela daquele dinheiro que o turista investiu no lazer.

O leque de informações relacionadas ao turismo é de tamanha abrangência que, em novas oportunidades, serão trabalhados mais assuntos a fim de contribuir com o seu conhecimento. A relação do turismo com Penedo é maior do que as pessoas pensam.
 

http://maistour.com.br/
@maistour
82 99674-8900

 

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  • Ana Paula Pontes É isso aí Fabrício!! De uma forma bem singela e de fácil compreensão, os penedenses irão aprender mais sobre o turismo e sua importância para a cidade de Penedo. Com isso mudarão seu modo de pensar e agir. Podendo até, mudarem de vida.
  • Fabrício Olá, Ana Paula. Exatamente. Obrigado!
  • Tarcísio Marinho Peixoto Excelente texto coeso e bem explicado. Acho de grande valia e significado o trabalho local na área do turismo, não só do ponto de vista econômico, mas também cultural, porque eleva nossa terra à condição de uma cidade magnífica, revelada por seu acervo arquitetônico, além dos folguedos e nossa deliciosa culinária.
  • Fabrício Muito obrigado pelo comentário, Tarcísio Marinho. Grande abraço!