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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 29/06/2023 09:46

Os valores empresariais

Um assunto pouco comentado por empresários e pesquisadores é o que se refere aos valores intrínsecos que as empresas deveriam levar a efeito. O que encontramos, em larga escala, é a importância dada aos valores tangíveis e que são apresentados, por muito empresários de empresas de sucesso, às vezes de maneiras exageradas que chegam a quase denotar um culto ao princípio de que dinheiro só se ganha com dinheiro.

Claro que não se pode cair na ingenuidade de que o capital financeiro não é importante para o sucesso empresarial, mas será que inexistem outros valores intangíveis tão importantes quando o financeiro e que contribuem também para o sucesso das empresas?
 Quando falamos de ética, excelência, responsabilidade, diversidade, equilíbrio, transparência, honestidade referimo-nos a valores intrínsecos e expansíveis que podem se espalhar pelas organizações como podem também escassear, dependendo do comportamento dos seus dirigentes.

Análogo a uma estrutura física, os valores intrínsecos de uma organização são extremamente dependentes dos seus fundamentos e para que estes fundamentos aconteçam é determinante o caráter de seus fundadores e de seus dirigentes ao demonstrarem desde os primórdios da organização a missão que determinará a finalidade da sua existência: a sociedade ou o lucro, pois o segundo tem que ser a consequência da primeira.

Esta determinação é facilmente observada quando observamos, na prática, o comportamento das pessoas que constituem as empresas, independentemente de estarem escritas ou não em quadros exuberantes nas paredes, as missões determinantes de suas existências, pois é a missão que encaminha as organizações ao credo de seus valores. Quando os seus colaboradores demonstram que conhecem, praticam o norte determinante da organização e são acompanhados pelos dirigentes, tendem a agregar estes valores intrínsecos nos seus produtos ou serviços. No caminho inverso é um autêntico laissez faire, que pode ser traduzido como “um verdadeiro oba-oba”, refletindo na baixa qualidade de suas produções, e no desrespeito de seus stockholders, promovendo, consequentemente, a felicidade de seus concorrentes.

Infelizmente muitos empresários desconhecem completamente o conceito de missão organizacional e entre os que conhecem encontramos relutâncias na aplicação dele em seus planejamentos estratégicos. Esta relutância decorre da incredulidade na aplicação de conceitos teóricos e essa incredulidade conduz a não oficializar os valores da empresa para que seja de conhecimento de todos e aplicados em suas operações diárias.

A nossa realidade - principalmente nos municípios de médio porte, os que tem entre 25 mil a 100 mil habitantes é a predominância de empresas de pequeno porte, até 100 empregados, é pontual, pois a grande maioria dos empresários só têm a vivência prática e é exceção os que têm conhecimentos teórico, seja através formação média específica, superior ou cursos livres de qualificação profissional e continuada. Esta situação é um terreno fértil para que empreendedores, como já tratei neste espaço anteriormente, iniciem negócios nos segmentos onde foram empregados com a principal finalidade de suas sobrevivências.

Este ambiente convulsivo, onde os objetivos principais são as receitas, não proporciona a proliferação dos valores intrínsecos, a não ser quando os empreendedores tenham caráter moldado pela família, escola, amizades e instituições religiosas ou não. O resultado notado é a ausência de qualidade nos produtos e principalmente nos serviços, preços determinados pela posição social dos usuários e outras distorções que não são condizentes com a nossa contemporaneidade.

Voltamos ao primeiro parágrafo do presente artigo para reafirmar que o despropósito registrado nos dois itens anteriores não fica restrito aos novos empresários, pois da mesma forma encontramos em empresas de relativo sucesso, apesar de seus dirigentes pregoarem que praticam os valores da boa governança em suas empresas, apresentam que, na prática não é isto que ocorre e sim a negação do discurso. Esta negação é observada inicialmente nos seus colaboradores, pois quem está no ambiente destas empresas percebem durante o expediente que o caráter de seus superiores hierárquicos está distante do que a sociedade esperava sabido que ocorrem desvios, principalmente, na responsabilidade legal, social, ambiental. Embora uma parcela dos colaboradores discordarem destas irregularidades, permanecem nos empregos por ausência de opções no mercado de trabalho. Esta é uma das razões porque não ocorre a lógica da lei de Darwin quanto a extinção seletiva das organizações que não adaptam às exigências do mercado atual.

As organizações podem sintetizar todos os valores implícitos em apenas um: honestidade. Honestidade na responsabilidade fiscal, na transparência, no respeito às pessoas etc, e a consequência da ausência desta prática em busca de ótimos resultados financeiros tem como norte comum a sonegação fiscal do país, pois se nada vier a acontecer, continuará em torno de 9,2% do PIB, ou seja R$ 626,8 bilhões.

Infelizmente o cenário não demonstra expectativas melhor neste ambiente e quando Michael Palanye (1891-1976) afirmou que “a maneira como as batatas se acomodam para encher um sado tem analogias óbvia com a corrida competitiva dos indivíduos”, não está acontecendo nestes valores fundamentais.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 02/06/2023 16:20

Tom vermelho do verde: uma estória antiga e realidade atual

Comento hoje neste espaço o romance “Tom vermelho do verde”, escrito por Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como Frei Betto, publicado pela Rocco em 2022. O autor nos transporta para a década de 60, época da ditadura militar quando o general no posto de presidente era Artur de Costa e Silva, 15.3.1967 a 31.8.1969 (de facto), que é sempre lembrado pelo grande feito de instituir o AI-5. Logo no início o leitor é colocado no ambiente geográfico e temporal onde se desenrola a estória que se mistura com a história, citando alguns autores que já relataram sobre o assunto. Porém o mais impressionante é o de Egydio Schwade que escreveu com rara objetividade que “A história do desaparecimento de mais de dois mil Walmiri-Atroari em menos de cinco anos ainda é um mistério para a sociedade brasileira”, misturando, assim, logo no seu início o seu romance com a veracidade histórica.

 Uma das ideias centrais do romance é a forma desarticulada do governo central da época integrar de a Amazônia, que seria um legado histórico, através da construção das BR 230 (Transamazônica) e 174 (Manaus/Boa Vista), mas que proporcionou o passo inicial à proliferação de invasões nas áreas ocupadas pelos povos originais sem um plano racional e eficiente de transferência das aldeias, resultando em constantes mortes e fugas dos nativos, deixando suas terras para a exploração inescrupulosa dos abundantes recursos naturais da região.

Como no período ditatorial (1964/1985), tratado com o eufemismo de governo militar por seus mandatários, os personagens principais são militares de patentes superiores - de major em diante - que detinham os principais postos de direção na região, como governador, diretorias regionais do DNER e IBAMA e outros, sendo os que mais detém voz ativa e de mando são o comandante militar da região e o coronel designado para superintender a construção das rodovias. O autor utiliza de nomes fictícios é claro, mas como quase sempre, os romances são idealizados com fatos verídicos ocorridos vivenciados, que foram relatados por residentes da época e utilizados pelo autor na sua narrativa.

No transcorrer da obra clareia-se a verdadeira razão dos autores do plano de integração da região amazônica, através da construção de rodovias ao país que foi apresentado ao ministro do exército, mas que era na verdade apenas um pretexto para concretizar as intenções de enriquecimento ilícito de militares corruptos, que eram sócios informais de empresas de extração de minérios, laboratórios farmacêuticos, madeireiras e outras empresas interessadas em explorar comercialmente a região.

O autor desenvolve o romance em partes distintas, a construção da BR 174, os contatos dos indigenistas com os Waimiri-Atroari e os militares ávidos a cumprir as ordens recebidas. Uma analogia aos Sertões quando Euclides da Cunha dividiu a obra em: a terra, o homem e a luta.

Na construção da rodovia os personagens, militares e trabalhadores civis desmatam, indiscriminadamente, a floresta que estava no trajeto do traçado da planta da estrada, mesmo com os seus medos apavorantes da reação dos indígenas, que para defender seu território promoviam ataques que resultavam em mortes dos dois lados e que resultavam na fuga muitos de trabalhadores, pois a iminência de morrer era mais forte que as péssimas condições de acomodações e alimentação a que eram submetidos. Opção esta negada aos militares que tem que cumprir o que lhes é ordenado independentemente de onde e de quando.

A narrativa dos contatos dos “civilizados” com os “selvagens” é onde se desenrola a prioridade do autor, que adentra nos interesses de pastores americanos que se utilizam de informações do Pentágono para conquistarem a confiança dos militares, podendo circularem livremente pelas vilas “doutrinando” e explorando os indígenas em proveito próprio e das empresas patrocinadoras.

Encontramos, no contexto, sertanistas inescrupulosos que se aproveitam de seus conhecimentos de locomoção na selva, seja através dos rios ou pelo interior, para locupletarem seus ímpetos de riqueza fácil e instintos criminosos de mortes e estupros.

Mas, neste vale de promiscuidades, aparecem os verdadeiros profissionais vocacionais de educação, um casal de educadores que abdica do conforto de sua residência para alfabetizar as crianças indígenas e por estes serem alfabetizados no seu idioma; uma médica do Instituto de Biologia do Exército, que permutou seu consultório pelo laboratório de pesquisas da flora amazônica e uma mulher abnegada que trocou a sala de aula pelo radioamadorismo, quando o marido oficial do Exército foi transferido de Natal para Manaus e que integra o grupo que adentra na floresta, com a função de informar o andamento da missão ao comando militar da região. Estas personagens femininas tem lugar de destaque no romance pela coragem e abnegações vocacionais profissionais e humanitárias que, juntamente com outros participantes ao descobrirem os verdadeiros interesses da maioria são cruelmente assassinados por seus colegas de expedição, crimes estes que no relatório final das autoridades foram atribuídos aos indígenas.

Esta narrativa de exemplos de pessoas exemplares assassinadas são esquecidas pelas autoridades que concluem, como em processos anteriores, que todo crime na selva é realizado pelos silvícolas que não querem ser “domesticados”, que nos remete aos problemas recorrentes da região: descumprimento das leis e direitos individuais e coletivos.

Quanto as personalidades militares do romance, que nunca participaram de algum combate com inimigos reais, elegem os nativos para a prática do que lhes foi ensinado na academia militar, esquecendo que também ensinam que o militar também é importante na continuidade da paz e sugerem, desde a primeira reunião secreta, que o desenvolvimento rodoviário da região só será possível se ocorrerem bombardeios com produtos tóxicos nas comunidades dos povos originais, sugestões acatadas e promovem a matança miilhares de Waimiri-Atroari,

Com o romance, acredito que o autor teve a intenção que os leitores reflitam e relacionem o seu conteúdo com o que ocorre atualmente naquela região, assunto continuamente relatado pela imprensa quando denuncia as invasões, o garimpo e o desmatamento criminoso que as autoridades não conseguem debelar e tirem suas próprias conclusões.

Todo romance tem um viés com a realidade.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 12/04/2023 09:50

A produtividade do setor público x setor privado

A produtividade das empresas, seja do setor primário, secundário, terciário ou quaternário está sempre presente nos seus planejamentos visando a melhoria de suas rentabilidades. Porém nossa realidade continua decepcionante pois, de acordo com as pesquisas, nossa produtividade é a mesma há 30 anos. Em termos comparativos um trabalhador brasileiro leva uma hora para realizar o mesmo trabalho que um norte americano faz em 15 minutos e um alemão ou coreano em 20.

 Como ela é efeito das estruturas existentes, às vezes, principalmente nas micro, pequena e média empresa, duas das mais importantes causas são relegadas a um segundo plano nos projetos empresariais: metas e prêmios.

Quando focamos nos serviços públicos, setor quinário, deparamos com questões ainda mais distantes das expectativas de seus usuários, a população, pois só recebe os benefícios esperados quando estes serviços melhoram ano a ano tendo como pano de fundo a produtividade, mas a realidade lhe mostra que esta expectativa não está se concretizando.

É praticamente inexistente a publicação de pesquisas sobre a produtividade dos serviços públicos brasileiros e a comparação dos resultados com a iniciativa privada e com os similares de outros países. Porém considerando artigos publicados sobre o quesito e as reclamações informais sobre esta produtividade, nos leva a crer que a distância entre ela e a produtividade dos serviços da iniciativa privada, que já é abaixo dos padrões internacionais, é descomunal.

Considerando-se a classificação das empresas pelo número de seus empregados, são consideradas grande a partir de 100, todas as prefeituras se enquadram nesta classificação, mas o procedimento padrão é não analisar as causas determinadoras desta baixa produtividade para melhorar seus serviços e melhor servir as pessoas.

As causas do fornecimento de serviços dos poderes públicos de baixa qualidade constam em diversas publicações e entrevistas, mas geralmente são tratadas quase que isoladamente, levando as pessoas a conclusões imediatas e na maioria das vezes insensatas. Podemos exemplificar que ao discutimos com empresários é quase unânime que acreditem que a causa principal desta irregularidade é a estabilidade no emprego público, sem considerarem o inter-relacionamento entre esta variável e as outras e que ela tanto pode ser causa como também efeito e portanto, não é aconselhável simplesmente extingui-la.

Os serviços públicos, como em qualquer empresa privada que atuam na prestação de serviços, têm como vetor principal seus servidores para atender a população com presteza e qualidade e assim cumprir bem as suas obrigações constitucionais, mas para que isto ocorra os processos de gestão de pessoas, que são os mesmos da iniciativa privada, tem que ser observados para que a diferença da produtividade entre a privada e a públicas possa ser progressivamente reduzida até nivelá-la.

Na gestão de pessoas temos seis processos interdependentes que caso não sejam praticados conjuntamente os objetivos organizacionais, provavelmente não serão alcançados. Estes processos são: agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar pessoas; dentre eles apenas o de agregar e manter pessoas diferem entre a administração pública e a privada, pois estas têm que cumprir o que determina a constituição, o primeiro pelo concurso público e o segundo pela existência da estabilidade do servidor público.

Se considerarmos a prestação dos serviços públicos como um sistema, colocaríamos o processo de recrutamento, o concurso público, como a entrada do sistema que conjuntamente com os outros se transformam na saída do produto que são os serviços públicos.

Já é pragmático entre o empresariado que um processo de seleção bem estruturado elegerá os melhores candidatos a ser admitidos e estes tenderão a permanecer na empresa por longos períodos galgando cargos mais complexos paulatinamente.

Mas este processo vai além de avaliar conhecimentos, que por si só não garante que ele será um bom colaborador e sim conjuntamente com a habilidade necessária para o cargo e as atitudes que provavelmente tomará ao exercer o cargo em preenchimento. Este é o conjunto que conceitua a competência, e são pessoas competentes que todas as empresas buscam no mercado.

Felizmente as regras para modificação no concurso público, PL 252/2003, que seria uma ótima notícia se não fosse demora, 20 anos de atraso, foi aprovado na Câmara e encontra-se no Senado para votação. Será um novo marco nos serviços públicos pois modificará fundamentalmente como os candidatos a cargos públicos serão avaliados para contratação. Nela estão previstas provas mais analíticas que avaliem além dos conhecimentos, as habilidades e competências necessárias para cada função.

Quanto aos outros processos. para que eles possam ser desenvolvidos nas administrações públicas, federal, estaduais e municipais, dependem da boa vontade política dos governantes para implementá-los, que já seria um ótimo avanço para melhoria dos serviços públicos prestados. Mas quem está lembrado dos projetos de governo dos últimos eleitos sobre os serviços públicos? Estão sendo cumpridos? A prática responde as duas questões com uma sonora negativa.

Falconi sempre nos alerta que gestão sem métricas pode ser tudo, menos gestão. Acrescento que trabalho sem prêmio desestimula a metodologia, a criatividade e a consequente produtividade das pessoas. Porém a mais importante causa da baixa produtividade do setor público é que nossos governantes têm como foco o clientelismo, enquanto os verdadeiros gestores têm foco permanente no aumento da produtividade.

Esta falta de foco no que é importante é o maior obstáculo dos objetivos do PL 252/2003 e se aprovado será mais uma regra morta. Gostaria de estar equivocado.
 

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Alexandre Cedrim

Alexandre Cedrim

Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 08/03/2023 07:26

Gestão de pessoas: por que só olhar para os melhores?

Parece ser um paradigma empresarial demitir os colaboradores que não se adaptam rapidamente à cultura da empresa (será cultura ou ausência de visão futura?)

O ideal é que os princípios de gestão de pessoas sejam aplicados em todas as organizações, mas sabemos que isso é pura utopia. Porém tem alguns princípios que quando não são praticados pelo empresariado podem comprometer o futuro dos seus empreendimentos. Exemplificamos dizendo como o empresário de qualquer organização pode pretender uma excelente produtividade, se o salário de um empregado com experiência produtiva de cinco anos é idêntico ao de um recém admitido? O princípio de adequação salarial ao desempenho apresentado quebra-se instantaneamente.

Seria ingenuidade afirmar que uma microempresa que conta com três colaboradores deve implantar um sistema de avaliação de desempenho funcional, mas o empresário tem a obrigação de saber, mesmo informalmente, quais são os funcionários excelentes, os medianos e os com dificuldades de desempenho.

É gratificante quando vemos um ótimo funcionário de qualquer estabelecimento empreender em um negócio próprio, geralmente no mesmo segmento da empresa que estava empregado, na maioria dos casos no segmento de serviços onde exerce as funções conjuntas de gestão e execução. Mas também é decepcionante o percentual elevado destas novas empresas que encerram suas atividades, pela queda de desempenho quando começam a expandir seus negócios e contratar pessoas que não apresentam a mesma produtividade e qualidade dos serviços quando eram realizados unicamente pelo empreendedor.

É aqui que entra um tema muito divulgado e pouco praticado pelo empresariado, principalmente pelos micro e pequenos: a educação continuada, pois ela é que proporcionará o conhecimento e as aptidões do processo gerencial.

Já tratei neste espaço dos meios que proporcionarão estes conhecimentos e aptidões são diversos, como graduação, pós graduação, cursos intensivos, seminários, palestras, livros, sejam presencias ou através da internet, como também as redes sociais que conecta os empresários para discussão de problemas de gestão em comum. Porém a maioria destes empresários não utilizam o network porque expõe suas limitações sobre o assunto, pura vaidade, pois estas redes quando bem utilizadas podem diminuir estas limitações e contribuírem para um melhor desempenho de suas atividades.

Um instrumento auxiliar que proporciona bons conhecimentos a qualquer hora sempre foi a leitura, que por sua amplitude de assuntos e ótimos autores pode auxiliar na gestão e resolução de problemas, desde que seja entendida e adaptadas as peculiaridades de cada empresa, é para isto que servem as teorias, serem aplicadas no ambiente empresarial.

De acordo com Jack Welch (1935-2020), na prática as empresas que realizam a avaliação de desempenho de seus colaboradores têm com resultado que que classifica, em média, que 20% apresentam resultados excelentes (acima da média), 70% resultados esperados (média) e 10% resultados abaixo do esperado (fraco), este percentual pode variar para cima ou para baixo de empresa para empresa, pois dependem de como elas realizam suas políticas de gestão de pessoas.

A tendência, da maioria dos empresários das pequenas e médias empresas, é concentrar sua atenção ao grupo dos excelentes, um pouco de atenção aos medianos e demitir os que tem desempenhos abaixo do esperado. Ao privilegiarem os colaboradores excelentes para que se mantenham, no mínimo, nos mesmos padrões, deixam de observar que somente alguns serão aproveitados em cargos de direção na empresa e aqueles que forem preteridos provavelmente procurarão outras empresas na expectativa de serem aproveitados nos cargos desejados. Quem substituirá estas lacunas, considerando a ausência de planos para melhoria do desempenho dos considerados medianos e dos fracos, quando o razoável é transformar os medianos em excelentes e os fracos em medianos e assim sucessivamente.

Quanto aos 10% com desempenho abaixo do esperado, neste grupo de empresas, a expectativa é que sejam demitidos e a empresa continue neste círculo vicioso.

Uma das características de sucesso do empresário é a criatividade, pois sem esta característica seu empreendimento dificilmente continuará no mercado. Porém desconheço que alguma empresa tenha, pelo menos, tentado inverter os seus índices de atenção aos grupos resultantes do sistema avaliatório, como em um exemplo hipotético, dar 70% de atenção aos 10% considerados fracos, 20% aos 70% medianos e 10% aos excelentes, ou seja dar uma atenção maior àqueles que têm os piores desempenhos para quebrar o paradigma de que estes 10% são irrecuperáveis.

Devemos deixar claro que esta sugestão/questionamento depende de outras variáveis, pois a avaliação de desempenho é apenas um item do subsistema de manutenção de pessoal, que compõe com outros subsistemas, o sistema geral de gestão de pessoas e para que apresentem resultados positivos devem estar interrelacionados entre si.

Como se pode notar a gestão de pessoas é complexa devendo ser estudada, discutida e aplicada, tornando-se o principal meio de sucesso empresarial.
 

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Alexandre Cedrim

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Administrador de Empresas e Consultor Organizacional

Postado em 16/02/2023 09:01

A indústria e o novo governo: as intenções serão cumpridas?

Divulgação
A indústria e o novo governo: as intenções serão cumpridas?
Novos investimentos dependem do ânimo dos agentes econômicos

Periodicamente, quando da eleição de um novo presidente, a Confederação Nacional das Indústrias apresenta uma série de reivindicações intitulando-as como plano de retomada da indústria, com as sugestões do setor para o desenvolvimento nacional do segmento produtivo e consequente melhoria para a população brasileira.

Os dirigentes da CNI cumprem as suas obrigações estatutárias, pois para isso foram eleitos e seus argumentos são bem fundamentados e caso sejam efetivados transcenderão o ambiente industrial, atingindo os outros segmentos produtivos em um efeito cascata. No documento apresentado em dezembro do ano passado, após o resultado do 2º turno, muitos dos itens já constaram de documentos similares anteriores, como ampliar os prazos para pagamentos de tributos, aperfeiçoar e fortalecer o sistema de financiamento à inovação, entre outros e que vão ao encontro das promessas feitas pelo governo eleito na campanha. Aqui emerge a questão principal: por que continuam recorrentes?

A principal preocupação da confederação são os resultados das pesquisas que realiza regularmente, para conhecer a participação do segmento industrial no PIB nacional. Esta participação, de acordo com a última pesquisa, vem em uma curva decrescente, pois em 1980 foi de 48%, em 1985 36% e em 2021 11%, o que por si só indica que estamos em um processo acelerado de desindustrialização refletindo negativamente na economia brasileira como um todo.

Neste plano de retomada da produção industrial, denominado de Reindustrialização da Economia Brasileira, enfatiza a necessidade de investimentos para aumento da sua produção e respectiva produtividade, através de equipamentos modernos e mão de obra melhor qualificada, para equiparar a produtividade brasileira ao nível da internacional e assim ter competitividade nos mercados internos e externos.

Novos investimentos dependem do ânimo dos agentes econômicos, mas os indutores têm que sinalizarem, a longo prazo, um ambiente econômico/político estável que depende diretamente da política econômica/fiscal do governo, pois desta política é que resultará no controle efetivo da estabilidade entre a arrecadação e os gastos públicos, que é a causa principal da estabilidade da inflação com consequências diretas no nível das taxas de juros básicos (SELIC), igualando-as ao padrão internacional. Como todo investimento é risco, qual o empresário que vai investir seu capital quando há indefinições na política macroeconômica no país? São estas dúvidas que a CNI trata no seu documento reivindicatório.

Os agentes econômicos utilizam como principal variável na realização de seus investimentos a Taxa de Retorno Sobre Patrimônio Líquido (ROE), que em termos simples significa qual será o lucro de cada R$ l,00 investido. É praticamente improvável que o investidor obtenha resultado compensador com as atuais taxas de juros pois enquanto a Selic se manter em 13,75% aa os bancos cobrarão os juros bem acima desta taxa para financiar não só novos investimentos, como também para o custeio de matérias primas para a produção.

A solução para desmontar estas barreiras impeditivas da reindustrialização está com o governo, que é o principal ator desenvolvimentista do país. As soluções sugeridas por associações industriais, economistas renomados e outros autores, que a tempo deixaram o ineditismo, deveriam ser tratadas como procedimentos básicos, cabendo ao governo a escolha da mais adaptável ao seu projeto político e implementá-las.

É quase unanimidade entre os operadores econômicos que o fundamento de uma política governamental sólida é a que produza, inicialmente, um ajustamento nos gastos públicos adequando-o às suas receitas, procedimento óbvio e relaxado, mas como estes gastos são ao mesmo tempo causa e efeito, de nada adiantará, por exemplo, baixar artificialmente as taxas de juros se esta é influenciada pelo déficit orçamentário, mas que pode ser enfrentado pelas reformas tentadas no governo Temer, mas que pela exiguidade de tempo do governo, ficaram, como sempre vem acontecendo, para o governo subsequente e assim adiada sistematicamente por ser contrária a interesses classistas.

A reindustrialização nacional é viável, caso o governo inicialmente promova uma reforma administrativa consistente para reduzir, em bilhões, suas despesas anuais com pessoal, que com raras exceções são remunerados bem acima da média do setor privado e apresentam uma produtividade cômica. A economia resultante desta reforma tende a produzir uma queda sistemática dos juros básicos, proporcionando menos custos financeiros da dívida do governo e consequentemente mais recursos para investimentos em infraestrutura beneficiando todas as atividades produtivas.

Concomitantemente deve realizar uma reforma tributária tão necessária para que produza efeitos em simplificação do cálculo, pagamento e distribuição de impostos, produzindo efeitos benéficos nas empresas não somente industriais, que atualmente tem um gasto elevado de despesas administrativas, tempo e pessoas, em efetuar cálculos decorrente de legislação complicada e diversa.

Continuando com o óbvio, a tão comentada reforma fiscal que se resume a apenas um ponto principal: um marco definidor das despesas e endividamento do governo e uma legislação segura para quem investe na produção se faz prontamente necessária.

Essas ações que já são do domínio público, tendem a produzir os efeitos que a CNI requer como tão bem registrou no documento apresentado ao governo. Outras se fazem necessárias, mas são complementares. Como o atual governo é contrário a privatizações e concessões esperamos que mantenha as atuais como estão, mas chega de criar novas, pois são improdutivas e hoje toda atividade econômica interessa a iniciativa privada, diferente do século XIX.

As questões provocadas pela CNI terão respostas efetivas ou esperamos mais quatro anos para serem reenviadas ao próximo governo?
 

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